As empresas do mercado imobiliário do Nordeste estão otimistas com a melhora da conjuntura econômica do País, marcada por desaquecimento da inflação, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima do previsto e iminência do ciclo de corte de juros. Além disso, os ajustes no Minha Casa, Minha Vida (MCMV) também servirão como um incentivo para destravar os negócios. Juntos, esses fatores vão se traduzir em uma expansão dos lançamentos ao longo do segundo semestre. Mais do que isso, as incorporadoras nordestinas estão diversificando os seus projetos e se espalhando por novas cidades – dentro e fora da região. O tema foi discutindo em um seminário online realizado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) na quinta-feira, 13.
“Vejo a economia melhorando pouco a pouco. A expectativa de PIB está cada vez maior e a inflação está caindo. Isso vale inclusive para o INCC [que mede os custos na construção]”, afirmou o diretor de assuntos econômicos da Abrainc, Renato Lomonaco. “Está faltando apenas o último gatilho, que é a queda de juros. Isso deve acontecer em agosto e será muito importante para o mercado imobiliário de média e alta renda”, avaliou. “Já para o Minha Casa Minha Vida, os ajustes estão dados. Então, estamos bem otimistas para o segundo semestre. Acredito que veremos uma boa retomada nos próximos meses e esperamos um 2024 ainda melhor”.
Presente no seminário, o presidente da Moura Dubeux (MDNE3), Diego Villar, também afirmou que está mais confiante devido à melhora da economia brasileira, o que já tem se refletido em um aquecimento nos negócios. A pernambucana Moura Dubeux é a maior incorporadora do Nordeste, com foco em residenciais de alto padrão e apartamentos de veraneio em sete capitais: Recife, Fortaleza, Salvador, Maceió, Natal, João Pessoa e Aracaju. As vendas líquidas subiram 14% no segundo trimestre de 2023 em relação ao mesmo período de 2022, chegando a R$ 351 milhões.
“Tivemos o melhor segundo trimestre da companhia”, disse Villar. “Desde o começo de maio, o mercado vive um otimismo maior do que nos seis meses anteriores. Há uma expectativa de que as coisas vão começar a engrenar”, afirmou, referindo-se à conjuntura econômica. O executivo disse que o cenário contribuiu para um aumento da confiança de empresários e consumidores.
“Provavelmente teremos o maior ano de vendas da companhia”, estimou, acrescentando que está acelerando os lançamentos a ponto de consolidar a Moura Dubeux entre as líderes do mercado nacional, em um patamar igual ou maior que as paulistanas Even, Eztec, Mitre e Trisul, por exemplo. Até aqui, foram lançados R$ 842 milhões, e a companhia tem uma estrutura com capacidade para atingir R$ 2 bilhões no ano.
Além disso, a Moura Dubeux está entrando em um novo setor. Acaba de lançar a Mood, uma marca para atuar no mercado imobiliário de médio padrão, com imóveis na faixa de R$ 400 mil a R$ 500 mil (ou R$ 6,5 mil a R$ 7,5 mil por metro quadrado). A iniciativa veio após o grupo perceber que o cliente local com renda de até R$ 12 mil tinha dificuldade de comprar apartamentos de valor mais elevado, mas também não queria adquirir unidades econômicas do Minha Casa Minha Vida. Os projetos iniciais da Mood serão em Natal, e a projeção é de fazer ao menos um lançamento por ano em todas as sete capitais nordestinas onde a Moura Dubeux já está presente, disse Villar. “A Mood nasce a partir da ideia de gerar valor para cliente que não estava sendo atendido e também para impulsionar a lucratividade da companhia”.
R$ 15 bilhões por ano
O mercado imobiliário no Nordeste movimenta em torno de R$ 15 bilhões em vendas por ano (considerando apenas as capitais), de acordo com levantamento da consultoria Brain Inteligência Estratégica. Na opinião do presidente da Brain, Fábio Tadeu Araújo, o estoque de imóveis residenciais no Nordeste está em baixa, o que abre oportunidades para novos negócios daqui para frente.
Desde 2020, as vendas na região têm superado os lançamentos. No acumulado dos últimos 12 meses até março, foram vendidas 35,7 mil unidades, enquanto os lançamentos ficaram em 31 mil unidades. Nesse período, houve redução dos lançamentos por conta dos juros altos e dos gargalos no MCMV. “As vendas vêm caindo, mas isso não aconteceu por falta de demanda. É porque os lançamentos também caíram”, frisou Araújo. Na sua avaliação, há uma carência de produtos no Nordeste atualmente. O estoque está em 32,4 mil unidades, o suficiente para abastecer a demanda por 11 meses.






