A temporada de ventos deve movimentar cerca de R$ 1,66 bilhão no Ceará em 2026, impulsionada principalmente pelo crescimento do turismo ligado ao kitesurf. O período de alta, que vai de julho a janeiro, deve atrair aproximadamente 410 mil turistas de aventura ao Estado, número 37,8% maior que os 297,5 mil registrados em 2024, segundo dados da Secretaria do Turismo do Ceará (Setur).
O kitesurf aparece como um dos principais motores desse crescimento. De acordo com a Setur, o número de praticantes deve chegar a 213,2 mil neste ano, contra 145.782 em 2024, um avanço de 46,2%. A atividade atrai visitantes de diferentes partes do Brasil e também de países da Europa e das Américas, movimentando hotéis, restaurantes, escolas de esporte, transportes e outros serviços ao longo do litoral cearense.
A receita turística direta relacionada ao segmento deve saltar de R$ 1,14 bilhão em 2024 para R$ 1,66 bilhão em 2026. O resultado reforça a importância dos esportes de vento para a economia do turismo no Estado, que representa entre 7% e 10% do Produto Interno Bruto (PIB) cearense.
Um dos destaques desse mercado são os chamados downwinds, viagens realizadas a favor do vento em longos trechos do litoral. Os roteiros podem partir do Cumbuco e passar por destinos como Guajirú, Icaraizinho de Amontada, Preá, Jericoacoara e Camocim, além de localidades do Piauí e do Maranhão. Uma expedição desse tipo pode durar entre seis e dez dias e custar cerca de R$ 10 mil por pessoa, de acordo com operadores ouvidos pelo Diário do Nordeste.
O impacto econômico também aparece nos gastos individuais dos visitantes. Levantamentos da Setur apontam que o turista de kitesurf desembolsa, em média, cerca de R$ 4 mil durante a viagem em 2026, enquanto o gasto diário varia entre R$ 600 e R$ 900. Além da hospedagem e alimentação, entram nessa conta aluguel ou compra de equipamentos, aulas, transporte e serviços especializados.
No Cumbuco, um dos principais destinos do esporte no Estado, o turismo internacional continua tendo peso importante. Hotéis e escolas recebem visitantes de países como Alemanha, França, Espanha, Bélgica, Itália, Estados Unidos e Canadá, além do crescimento da presença de turistas argentinos e de brasileiros vindos de estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O movimento também gera renda para comunidades litorâneas. Escolas de kitesurf, restaurantes, pousadas, motoristas, guias, profissionais de saúde, fotógrafos e oficinas de manutenção fazem parte da cadeia formada em torno do esporte. Há ainda iniciativas de economia circular que reaproveitam equipamentos descartados para produzir bolsas, mochilas, jaquetas e outros acessórios.
Apesar do potencial, o crescimento do turismo de vento traz desafios para o Ceará. A falta de profissionais qualificados para atender visitantes, especialmente estrangeiros, é apontada pelo setor como um dos principais gargalos. Também estão entre as preocupações a infraestrutura de saneamento básico e a gestão de resíduos em áreas litorâneas que recebem um número cada vez maior de turistas.
Para o setor turístico, a expectativa é que o Ceará consiga transformar as condições naturais favoráveis, principalmente a regularidade dos ventos, em desenvolvimento econômico de longo prazo. Com a expansão do kitesurf e de modalidades como o wingfoil, a temporada de ventos se consolida como um dos períodos mais importantes para a atividade turística no litoral cearense.






