O Governo do Ceará inaugurou nesta última quinta-feira (26) o Complexo Solar Lagoinha, no município de Russas, no Vale do Jaguaribe. A estrutura, fruto de uma parceria com a estatal chinesa CGN, tem capacidade instalada de 165 megawatts e poderá abastecer até 240 mil residências com energia limpa. A expectativa é de que o empreendimento gere mais de mil empregos na região.
A construção do complexo, que levou um ano e quatro meses, seguiu o modelo greenfield, ou seja, foi implantado do zero, sem a necessidade de adaptar estruturas pré-existentes. Ao todo, o projeto ocupa uma área de 304 hectares e se soma aos 55 empreendimentos de energia renovável já em operação no estado, que somam 1,26 gigawatts de capacidade instalada.
Durante a cerimônia de inauguração, o governador Elmano de Freitas destacou a importância do projeto em um cenário global marcado por conflitos e mudanças climáticas. “Nós vivemos em um mundo que, quando ligamos a televisão, nós assistimos a guerras. E nós assistimos a eventos que nos impressionam pelas mudanças climáticas no planeta. O projeto que aqui estamos hoje, comemorando o início de suas operações, expressa valores muito importantes”, afirmou.
“Este projeto aqui expressa concretamente como é que podemos efetivamente colaborar com a humanidade para que nós possamos superar os efeitos da mudança climática”, completou o governador.
A inauguração também marcou o início de ações sociais voltadas à educação e ao esporte no município. Foram entregues placas solares para escolas públicas de Russas, reforçando o compromisso com a educação ambiental e energética. A CGN Brasil também doou materiais esportivos às instituições de ensino e anunciou a criação de uma nova empresa de operação e manutenção voltada para usinas solares e eólicas.
O presidente da CGN Brasil, Zhigang Yao, destacou o empenho das equipes envolvidas e o impacto do projeto na luta contra o aquecimento global. “Quero agradecer a todos que trabalharam com toda a dedicação para concretizar esse projeto. Seguimos os passos sólidos na parceria com o Brasil para produzir energia renovável para a população”, afirmou. “Estamos contribuindo para a transição energética do país. Com a nossa capacidade de gerar energia aqui, o complexo evitará a emissão de 350 mil toneladas de dióxido de carbono”, acrescentou.
Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Ceará tem uma projeção de crescimento expressiva no setor. São 419 empreendimentos contratados, com potencial adicional de 15,9 GW em capacidade instalada.
O estado também mantém protagonismo em outras frentes da transição energética. Um dos pioneiros em energia eólica no país, o Ceará conta com 102 usinas em operação e 2,65 GW de capacidade instalada. Outros 68 projetos estão em desenvolvimento, somando 2,7 GW adicionais. Além disso, há 26 projetos offshore em licenciamento, representando 26,8% do total nacional.
No campo do hidrogênio verde, o estado já conta com sete projetos anunciados, com previsão de 4,7 GW de capacidade instalada até 2029 e meta de alcançar 10,7 GW até 2032. A expectativa é de atrair mais de R$ 131 bilhões em investimentos e gerar cerca de 80 mil empregos diretos e indiretos.






