Governo de Javier Milei intensifica a venda de dólares para conter o peso, enquanto as reservas se esgotam e o FMI impõe limites. O dólar paralelo dispara e pressiona os títulos argentinos em meio à incerteza política e econômica.
Pela sexta sessão consecutiva, o governo realizou ofertas no mercado, enquanto o Tesouro queima depósitos em moeda forte e operadores já estimam que restem cerca de US$ 700 milhões em caixa.
O Banco Central tem reservas utilizáveis mais robustas, mas enfrenta amarras impostas pelo acordo com o FMI, em meio a uma disparada do dólar paralelo e à deterioração dos preços dos títulos soberanos.
Vendas de dólares viram rotina
Segundo estimativas de mercado, o governo desembolsou na última terça-feira entre US$ 250 milhões e US$ 330 milhões para manter o câmbio praticamente estável no dia.
Somadas as últimas seis sessões, as intervenções totalizam ao menos US$ 1,5 bilhão.
Ainda que os números não sejam divulgados oficialmente pelo Tesouro, participantes do mercado relatam presença constante de oferta pública de moeda, num esforço para achatar a volatilidade e evitar uma nova rodada de realocação para o dólar.
Enquanto isso, o Ministério da Economia segue utilizando depósitos próprios — e não as reservas brutas do Banco Central — para sustentar o câmbio.
A avaliação corrente entre gestores é que a margem de manobra do Tesouro encolheu, razão pela qual a atuação diária no mercado cambial ganhou caráter defensivo.
Limites do Banco Central e do acordo com o FMI
O Banco Central da República Argentina (BCRA) dispõe de dólares, estimados por casas privadas em torno de US$ 10 bilhões utilizáveis.
No entanto, há restrições contratuais.
Pelo entendimento atual com o FMI, a autoridade monetária só pode intervir diretamente com reservas próprias se a taxa cruzar a faixa de flutuação acordada, que nesta terça-feira ficou entre 943 e 1.484 pesos por dólar.
Em setembro, o BCRA chegou a vender US$ 1,1 bilhão em três ocasiões, mas, desde então, a estratégia dominante tem sido acionar os recursos do Tesouro para preservar o regime e não acionar gatilhos do programa com o Fundo.
Ainda assim, o ambiente de liquidez apertada e a persistência de incertezas fiscais e políticas alimentam a demanda por proteção cambial.
Mesmo os ajustes recentes na política monetária não foram suficientes para reduzir a procura por dólares.






