A Black Friday de 2025 deve impulsionar de forma significativa o comércio varejista de Fortaleza. De acordo com a Pesquisa sobre o Potencial de Consumo do Fortalezense, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), da Fecomércio Ceará, a expectativa é de que o evento movimente cerca de R$ 426 milhões na capital. O valor representa um crescimento de 9,7% em relação às vendas de 2024, superando inclusive o desempenho do Dia das Mães e assegurando à Black Friday o posto de segunda data mais importante para o varejo local, atrás apenas do Natal.
Esse avanço é reflexo de um ambiente econômico mais favorável, marcado pela melhora gradual da confiança do consumidor, pela percepção positiva em relação ao mercado de trabalho e pela recuperação parcial do poder de compra. Soma-se a isso a expectativa de continuidade no ciclo de redução das taxas de juros, que aumenta a atratividade do crédito para a aquisição de bens duráveis e semiduráveis, categorias que tradicionalmente ganham destaque nas promoções do período.
Para a diretora institucional da Fecomércio-CE, Cláudia Brilhante, a Black Friday tem sido cada vez mais usada pelos consumidores como estratégia para antecipar as compras de fim de ano, especialmente de presentes de Natal e itens de maior valor. “Os consumidores aproveitam as promoções para garantir presentes e produtos de maior valor com descontos relevantes, maximizando o orçamento familiar e buscando parcelamentos mais longos com menor custo financeiro”, explica. Ela lembra ainda que datas comemorativas exercem papel decisivo no desempenho do comércio, pois “impulsionam as vendas, dinamizam a economia local e fortalecem, sobretudo, micro e pequenas empresas, além de contribuírem para reduzir a sazonalidade e manter níveis mais estáveis de emprego”.
O economista e conselheiro do Corecon, Ricardo Rocha, também avalia que o cenário atual favorece a elevação do consumo. Para ele, a projeção de mais de R$ 420 milhões em compras na Black Friday está diretamente associada à combinação entre inflação mais baixa, melhora do mercado de trabalho e entrada de recursos extras como a primeira parcela do 13º salário. “O período de festas de final de ano é impulsionado pela injeção de recursos adicionais, como a primeira parcela do décimo terceiro e o início das férias. Diante disso, o consumidor se depara com oportunidades de compra e promoções”, observa.
Ele, porém, faz um alerta importante: o início do ano concentra despesas como IPTU, IPVA, matrículas escolares e parcelas das compras feitas a crédito, o que exige cautela. “Diante do cenário de endividamento já presente na população brasileira, torna-se crucial adotar postura de cautela e planejamento, mesmo em um contexto de aquecimento econômico”, acrescenta.
A pesquisa aponta que 43% dos fortalezenses pretendem comprar durante a Black Friday, enquanto outros 16,4% ainda estão indecisos, o que pode elevar ainda mais o movimento do comércio. Entre aqueles que já planejam participar, predomina um comportamento de compra racional e orientado pela necessidade: 63,5% afirmam que pretendem aproveitar as promoções para adquirir produtos previamente planejados, e não itens comprados por impulso. O ticket médio deve se concentrar entre R$ 250 e R$ 1.000, e 42,9% dos entrevistados sinalizam a intenção de adquirir pelo menos três produtos, o que demonstra uma cesta de compras moderada, compatível com o orçamento familiar e com as condições de parcelamento disponíveis.
No que diz respeito aos produtos mais desejados, os eletrodomésticos lideram as intenções de compra, seguidos por roupas e artigos de vestuário, calçados, acessórios, eletrônicos, itens para o lar, celulares, cosméticos, perfumes, móveis e artigos de decoração. Para Cláudia Brilhante, essa diversidade de demandas revela um consumidor equilibrado, que combina a reposição de itens essenciais do dia a dia com o interesse por produtos de maior valor agregado, favorecidos pelas políticas de crédito mais acessíveis do período.
A pesquisa também revela que 57,6% dos consumidores pretendem parcelar suas compras, sendo o cartão de crédito o meio de pagamento mais utilizado. A preferência por dividir os gastos em cinco a dez parcelas, citada por 57,3% dos entrevistados, demonstra que os consumidores esperam manter estabilidade no fluxo de renda nos próximos meses. Embora esse comportamento contribua para sustentar o nível de consumo, especialistas reforçam a importância de planejamento financeiro para evitar desequilíbrios no início do ano, quando as despesas tradicionais tendem a se acumular.
Quanto aos canais de compra, a experiência presencial continua sendo a preferida, com 66% dos consumidores afirmando que optam por lojas físicas devido ao contato direto com o produto e à sensação de segurança nas transações. Porém, o ambiente digital segue consolidado como ferramenta decisiva de pesquisa, sendo utilizado por 61% dos entrevistados para comparar preços e avaliar a reputação das marcas. A confiança na loja e o histórico positivo de atendimento são fatores determinantes para a decisão de comprar online.
Apesar das perspectivas positivas, a pesquisa aponta barreiras que podem limitar o consumo. Entre aqueles que não pretendem comprar, 32,2% dizem desconfiar da veracidade das promoções, refletindo um sentimento recorrente de que muitos descontos não são reais. Outros 21,7% afirmam estar restringindo gastos em razão da situação econômica, o que reforça a relevância da transparência das ofertas e da credibilidade dos lojistas para a conversão das intenções em vendas efetivas.






