O programa Reforma Casa Brasil deve injetar pelo menos R$ 300 milhões no setor de materiais de construção civil no Ceará em 2026, segundo estimativa de Carlito Lira, presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção do Ceará (Acomac) e vice-presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção (Anamaco).
Assim, levando em consideração a estimativa de R$ 6,3 bilhões de faturamento para este ano e acrescentando o crescimento de 5%, o arrecadado do setor no Estado pode superar R$ 6,6 bilhões em 2026, totalizando incremento de R$ 300 milhões.
De acordo com o presidente da Acomac, 70% da renda das lojas de material de construção em todo o Brasil é direcionada a reformas de moradia e à autoconstrução, ou seja, a pessoas que administram as próprias obras.
Para ele, a demanda deve aumentar, principalmente, para materiais de acabamento básico, como caixa d’água, bacia sanitária, metais sanitários, tinta e ferragens, além de cimento, tijolos, louças e pisos. O profissional garante, ainda, que as lojas estão preparadas para atender a demanda.
Atualmente, segundo Lira, o comércio de material de construção gera cerca de 50 mil empregos diretos no Ceará.
Falta de mão de obra qualificada pode limitar crescimento
Assim como nas lojas de materiais, a demanda por mão de obra na execução das construções deve aumentar, mas o setor ainda enfrenta o desafio da qualificação profissional.
Segundo o especialista e empresário Tácito Almeida, proprietário da Tácito Almeida Imóveis e da Mandacaru Construtora, o faturamento da mão de obra pode registrar crescimento de até 5%.
Entre os tipos de procedimentos com provável alta na demanda apontados pelo especialista estão troca de piso e revestimentos, instalação de telhas e madeiramento e construção ou reforma de banheiros e outros cômodos extras, como quartos e varandas, principalmente no pavimento superior.
No entanto, Tácito alerta: a oferta limitada de mão de obra local qualificada, como pedreiros, carpinteiros e encanadores, pode reduzir o ritmo de crescimento do setor.
“Os profissionais hoje são mais disputados do que alguns anos atrás. Hoje, pedreiro e servente são profissionais difíceis de encontrar com qualificação adequada”, indica.
Nesse sentido, o conselho de Tácito é que os profissionais do setor se capacitem para atuar em todas as áreas da construção civil e emitir nota fiscal.
Nova oportunidade para arquitetos
A chegada do programa Reforma Casa Brasil também é uma oportunidade para arquitetos mirarem em diferentes públicos alvos. É o que defende a membro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Ceará (CAU/CE), Cecília Amorim.
Ela explica que cerca de 80% da população realiza obras sem a contratação de um profissional de arquitetura, por achar desnecessário ou não apresentar recursos para isso.
Dessa maneira, a maioria dos trabalhadores da área se mantém restrito ao público que, tradicionalmente, já procura por esse serviço, apresenta maior renda e compõe menor porcentagem da população.
Assim, Cecília acredita que, com a possibilidade de famílias de menor faturamento terem acesso a recursos para contratar esse tipo de serviço, arquitetos e outros profissionais da área devem aproveitar a oportunidade para demonstrar o valor desse ofício para pessoas que, talvez, ainda não conheçam.
Ela destaca, ainda, que o papel do arquiteto em uma obra é planejar, prever possíveis problemas, lidar com imprevistos e realizar orçamentos, não só de forma estética, mas também técnica e científica.
“O que a gente faz leva tempo para as pessoas perceberem o verdadeiro benefício daquilo que elas pagaram. Então a gente tem essa dificuldade de mostrar o valor do arquiteto. Eu acho uma boa oportunidade para fazer com que profissionais da engenharia e arquitetura sejam vistos pela população com outros olhos. Eles foram colocados por muito tempo como profissões exclusivas para uma pequena parte da população, como se fosse um acessório. Mas a arquitetura é uma ferramenta de transformação da qualidade de vida das pessoas”
Programa deve injetar R$ 40 bilhões no Brasil
No Reforma Casa Brasil, o valor a ser contratado está entre R$ 5.000 e R$ 30.000 e poderá ser utilizado para materiais de construção, mão de obra, elaboração de projetos técnicos e serviços de orientação e acompanhamento das obras
Além disso, o empréstimo será concedido mediante juros de 1,17% a 1,95% e prazo de pagamento de até 60 meses. As casas devem estar localizadas na área urbana, sendo válido, inclusive, para pessoas que moram de favor ou aluguel.
Segundo Lira, as taxas reduzidas e a possibilidade de utilizar o valor tanto para a compra de material de construção quanto para a contratação de serviços promovem uma boa oportunidade para famílias de menor renda efetivarem as reformas em casa.
“O aporte do Reforma Casa Brasil vai ser em torno de R$ 40 bilhões, então é um aporte substancial no faturamento geral do setor. A gente tá muito otimista com isso. Isso vai provocar um crescimento substancial de vendas. É uma grande oportunidade de beneficiar o comércio e a indústria”
Quem pode receber o crédito?
Os interessados em obter o crédito do programa Reforma Casa Brasil podem simular a operação pelo aplicativo ou pelo site da Caixa Econômica Federal.
Podem obter o financiamento famílias de todo o Brasil, com residências em áreas urbanas. Os recursos concedidos devem ser usados para compra de material de construção, pagamento de mão de obra e contratação de serviços técnicos como pintura, troca de telhado e até instalação de energia solar.
As condições de contratação do Programa Reforma Brasil serão de acordo com as faixas de renda das famílias interessadas. Os financiamentos são a partir de R$ 5 mil e podem chegar a até 50% do valor de avaliação do imóvel a ser reformado.






