Um grupo de grandes companhias globais, incluindo a ExxonMobil, a Vale e a Bayer, está propondo uma reformulação significativa na forma como as emissões de carbono são contabilizadas pelas empresas, segundo reportagem do veículo Capital Reset.
A iniciativa faz parte de uma coalizão internacional chamada Carbon Measures, criada durante a COP30 e que reúne dezenas de empresas dos setores industrial, financeiro e de energia. O grupo defende que o modelo atual de mensuração — baseado no chamado GHG Protocol — apresenta falhas importantes, especialmente na contabilização das emissões indiretas (escopo 3), que envolvem toda a cadeia produtiva e o uso final dos produtos.
A proposta central é substituir o modelo tradicional de inventários corporativos anuais por um sistema mais granular, no qual cada produto carregaria sua própria “pegada de carbono”. Isso permitiria rastrear e comparar com maior precisão as emissões associadas a bens como aço, combustíveis ou alimentos, criando, segundo os proponentes, incentivos de mercado para itens de menor impacto ambiental.
De acordo com a coalizão, o objetivo é tornar o carbono uma espécie de “moeda” mensurável ao longo das cadeias de valor, aumentando a transparência e melhorando a tomada de decisão de empresas e investidores. A mudança também poderia estimular a demanda por produtos de baixo carbono ao facilitar comparações entre fornecedores.
No entanto, a proposta enfrenta críticas. Especialistas apontam que a participação de grandes petroleiras levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, além do risco de fragmentação nos padrões globais de mensuração. Hoje, o GHG Protocol é amplamente adotado por empresas e reguladores, apesar de suas limitações reconhecidas.
Outro desafio é a própria complexidade da medição das emissões indiretas, que frequentemente dependem de estimativas e dados setoriais, devido à dificuldade de obter informações precisas ao longo de cadeias produtivas extensas.






