Os contratos futuros do trigo dispararam mais de 7% na Bolsa de Chicago (CBOT), levando o mercado global de grãos a um novo estado de alerta após a divulgação das mais recentes projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A forte valorização foi impulsionada principalmente pelo corte inesperado nas estimativas de produção norte-americana e pelo agravamento das condições climáticas nas regiões produtoras dos EUA.
Segundo o relatório WASDE do USDA, a produção de trigo dos Estados Unidos para a safra 2026/27 foi reduzida para 1,56 bilhão de bushels, bem abaixo da expectativa do mercado, que girava em torno de 1,73 bilhão. O órgão apontou a seca severa nas planícies do oeste americano como principal fator para a revisão negativa, afetando especialmente o trigo de inverno.
Com isso, os futuros do trigo negociados em Chicago registraram o maior salto diário em cerca de dois anos, refletindo o temor de um aperto na oferta global do cereal. O movimento também contaminou outros mercados agrícolas, elevando as cotações de milho e soja em meio à preocupação com a produtividade das lavouras norte-americanas.
Analistas destacam que o mercado já vinha monitorando sinais de deterioração climática nos EUA nas últimas semanas. Dados recentes mostraram avanço da seca em importantes áreas agrícolas, enquanto operadores ampliaram apostas de alta diante da possibilidade de novas revisões baixistas por parte do USDA.
Além das questões climáticas, o cenário também foi influenciado pelo posicionamento especulativo dos fundos de investimento. Relatórios recentes indicavam forte aumento das posições vendidas em trigo na CBOT, o que intensificou a pressão compradora após a divulgação do USDA, provocando um movimento acelerado de cobertura de posições.
O mercado agora volta suas atenções para os próximos relatórios climáticos e para a evolução das lavouras nos Estados Unidos, fatores que devem continuar ditando a volatilidade das commodities agrícolas nas próximas semanas.






