A taxa das blusinhas chegou ao fim. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na última terça-feira (12), uma medida provisória que zera o imposto extra de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50.
A mudança entrou em vigor ontem (13) e reacende um debate que o varejo brasileiro tentava deixar para trás: como competir com as gigantes asiáticas Shein, Shopee e Temu?
A cobrança havia sido instituída em agosto de 2024 com o objetivo de reduzir a vantagem de preço das plataformas estrangeiras em relação às redes nacionais. Dessa forma, com o fim da taxação, o setor volta a enfrentar uma concorrência que já era difícil mesmo com o imposto em vigor.
Shein já vencia no preço mesmo com o imposto
Dados levantados por analistas do BTG Pactual mostram que, mesmo durante a vigência da cobrança adicional, a Shein operava com preços abaixo dos praticados pelas varejistas brasileiras. A plataforma chinesa chegava a ser 6% mais barata que a Riachuelo, da Guararapes; 10% abaixo da Lojas Renner (LREN3); e 13% mais em conta do que a C&A.
Ou seja: o imposto reduziu a vantagem, mas não eliminou. Com o fim da taxação, essa diferença tende a se ampliar.
O BTG afirma, em relatório, que a medida “reabre o debate sobre a assimetria competitiva” entre empresas nacionais e marketplaces internacionais, com impacto especialmente para redes voltadas às classes média e baixa.
Volume de remessas já havia voltado a crescer
Antes da criação do imposto, mais de 18 milhões de encomendas internacionais de baixo valor chegavam ao Brasil por mês. Com a taxação, esse número caiu para cerca de 11 milhões mensais no fim de 2024. No entanto, as remessas já haviam voltado a crescer: mais recentemente, a faixa estava entre 15 milhões e 17 milhões por mês, com as plataformas absorvendo parte do custo para manter os preços competitivos.
Varejo critica assimetria tributária
O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) reagiu com críticas à decisão do governo. Para a entidade, a medida amplia a desigualdade entre o produto nacional, que carrega uma carga tributária de 92% segundo o IDV, e o importado, que voltará a circular sem o imposto extra.





