A empresa norte-americana JetBio anunciou um ambicioso projeto de US$ 2 bilhões para construir no Brasil uma das maiores fábricas do mundo de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês), utilizando etanol de baixa intensidade de carbono como matéria-prima. A iniciativa tem potencial para posicionar o país como um dos principais fornecedores globais de combustíveis renováveis para o setor aéreo.
Segundo informações divulgadas pela companhia, controlada pelo grupo norte-americano, Summit Agricultural group a planta deverá produzir cerca de 1 bilhão de litros de SAF por ano, com início das operações previsto para 2030. A produção utilizará aproximadamente 1,8 bilhão de litros de etanol proveniente de cana-de-açúcar, milho de segunda safra e resíduos agrícolas produzidos no Brasil.
O projeto será baseado na tecnologia Alcohol-to-Jet (ATJ), que converte etanol em combustível para aeronaves. De acordo com o CEO da JetBio, Will Moore, cerca de 90% da produção será destinada à exportação, com foco nos mercados da União Europeia, Reino Unido e Ásia-Pacífico, regiões que vêm ampliando exigências para a redução das emissões de carbono na aviação.
A cidade de Paulínia aparece como principal candidata para receber o empreendimento, graças à infraestrutura industrial já instalada e à proximidade de importantes polos produtores de etanol. A definição oficial do local deverá ocorrer nos próximos meses.
A aposta da JetBio ocorre em um momento de forte expansão da demanda global por SAF. Governos e organismos internacionais vêm estabelecendo metas para aumentar a participação dos combustíveis sustentáveis na aviação comercial, considerada uma das indústrias mais desafiadoras para a descarbonização. Estudos do setor indicam que a procura por SAF deve crescer significativamente ao longo da próxima década, impulsionada por regulamentações ambientais mais rígidas.
Para o Brasil, o investimento representa uma oportunidade estratégica de agregar valor à cadeia do etanol, tradicionalmente voltada ao mercado automotivo. Além de ampliar a demanda por biocombustíveis, o projeto reforça o papel do país na transição energética global, aproveitando sua ampla disponibilidade de biomassa e sua consolidada indústria sucroenergética.
Se concretizado conforme o cronograma previsto, o complexo da JetBio poderá se tornar a maior unidade comercial de SAF baseada em etanol do mundo, consolidando o Brasil como um dos protagonistas da nova economia de combustíveis sustentáveis para a aviação.






