Diante da possibilidade de novas barreiras comerciais sobre medicamentos importados, fabricantes farmacêuticos internacionais estão acelerando investimentos, ampliando fábricas e reorganizando cadeias produtivas para fortalecer sua presença nos Estados Unidos — movimento que pode redesenhar o mapa global da indústria farmacêutica.
A corrida ganhou força após o governo do presidente Donald Trump avançar com medidas que preveem tarifas de até 100% sobre medicamentos patenteados importados. Pela proposta, empresas que ampliarem produção em território americano ou firmarem acordos específicos com Washington poderão obter reduções ou isenções temporárias.
Em resposta, grandes grupos do setor anunciaram planos bilionários para expandir operações nos EUA. Entre eles estão Pfizer, AstraZeneca, Eli Lilly and Company, Johnson & Johnson, Merck & Co., Roche e Novartis. Os planos incluem novas unidades industriais, reforço em pesquisa e desenvolvimento e aumento de estoques para reduzir riscos de abastecimento.
Algumas empresas já começaram a converter anúncios em projetos concretos. A AbbVie, por exemplo, anunciou investimento de US$ 380 milhões para ampliar sua produção em Illinois, com foco em ingredientes farmacêuticos ativos e medicamentos de alto valor agregado.
Analistas avaliam que a movimentação vai além da questão tarifária. O avanço da chamada “reindustrialização farmacêutica” nos EUA busca reduzir a dependência de cadeias internacionais de suprimentos e reforçar a segurança de abastecimento em produtos considerados estratégicos. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a transferência acelerada da produção pode elevar custos e pressionar preços ao consumidor no curto prazo.
O reposicionamento das farmacêuticas ocorre em um momento de crescente disputa por investimentos industriais entre Estados Unidos, Europa e Ásia — indicando que o setor de saúde pode se tornar uma das próximas frentes centrais da política comercial global.






