As exportações brasileiras de carne bovina, frango, ovos e animais vivos para a União Europeia podem enfrentar restrições diante do endurecimento das regras do bloco sobre o uso de antibióticos na pecuária.
Em jogo está um mercado que movimentou cifras expressivas em 2025, e o Ministério da Agricultura já trabalha com frigoríficos e produtores para avaliar alternativas.
Segundo relatório divulgado nesta semana, as importações de proteínas animais brasileiras pela UE somaram US$ 1,8 bilhão no ano passado, totalizando 368,1 mil toneladas. Só os embarques de carne bovina para o bloco responderam por US$ 1,05 bilhão desse volume.
Setor vê prazo apertado
O tema já vem sendo tratado em discussões entre a Comissão Europeia e autoridades brasileiras, e o Brasil forneceu informações ao bloco sobre o assunto. Ainda assim, o setor exportador avalia que o cronograma é curto demais.
Em entrevista coletiva na semana passada, Roberto Perosa afirmou que ‘o setor dificilmente conseguirá cumprir as novas regras dentro do prazo exigido’. Diante do cenário, o Ministério da Agricultura tem atuado ao lado dos frigoríficos e produtores para mapear caminhos possíveis.
Impacto na Europa e o acordo com o Mercosul
As eventuais restrições não afetariam apenas o Brasil. Segundo o relatório, elas podem reduzir a oferta de carne bovina e de frango na Europa e pressionar os preços para cima no continente.
O debate ocorre em meio à entrada em vigor do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, bloco que reúne, além do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O entendimento entre os dois blocos tem enfrentado resistência: agricultores realizaram protestos contra o acordo em países como Irlanda, França e Polônia.






