A Petrobras mantém seu parque de refino operando próximo da capacidade máxima, com índices de utilização que refletem a estratégia da companhia de ampliar a produção nacional de combustíveis e reduzir a dependência de importações. O diretor de Processos Industriais e Produtos da estatal, William França, já havia informado que as refinarias operavam com fator de utilização de 98% em agosto, após períodos acima de 100%. Os dados mais recentes divulgados pela empresa mostram que o indicador ficou em 99% no terceiro trimestre de 2026.
O fator de utilização das refinarias mede quanto da capacidade operacional do parque de refino está sendo efetivamente utilizada. Um índice elevado indica que as unidades estão processando grandes volumes de petróleo para produzir derivados como diesel, gasolina, querosene de aviação e gás liquefeito de petróleo (GLP).
Segundo França, a redução para 98% registrada em agosto ocorreu principalmente para permitir pequenas manutenções nas unidades. Parte dessas intervenções havia sido adiada durante um período de maior instabilidade no mercado internacional de petróleo, associado às tensões no Oriente Médio e à alta dos preços dos combustíveis no exterior. Com a diminuição das pressões mais imediatas, a companhia passou a retomar gradualmente os serviços de manutenção.
A estratégia de manter as refinarias em níveis elevados de utilização está relacionada à necessidade de fortalecer o abastecimento interno. Ao processar mais petróleo no Brasil, a Petrobras busca ampliar a oferta doméstica de derivados e diminuir a necessidade de recorrer ao mercado internacional, especialmente em momentos de preços elevados ou de dificuldades logísticas.
O desempenho operacional também se refletiu nos resultados do terceiro trimestre. Entre julho e setembro, a produção total de derivados alcançou 1,873 milhão de barris por dia, alta de 4,6% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o volume chegou a 1,869 milhão de barris diários, crescimento de 7,2% na comparação anual.
O diesel foi um dos principais destaques. A produção média do combustível atingiu 769 mil barris por dia no terceiro trimestre, estabelecendo um recorde trimestral. Em julho, a produção mensal chegou a 792 mil barris diários, também um recorde. O resultado reforça a prioridade da estatal em ampliar a oferta de derivados considerados estratégicos para o transporte de cargas, a atividade industrial e o agronegócio.
As vendas de derivados no mercado brasileiro também avançaram. No terceiro trimestre, somaram 1,854 milhão de barris por dia, o maior volume desde o terceiro trimestre de 2021 e o melhor resultado considerando a configuração atual do parque de refino. Em comparação com o trimestre anterior, o crescimento foi de 6,4%, impulsionado principalmente pelo aumento de 14,4% nas vendas de diesel e de 9,9% nas de querosene de aviação.
Apesar do avanço da produção, a companhia ainda precisa recorrer a importações para atender integralmente à demanda por determinados derivados. No terceiro trimestre, as importações de diesel aumentaram em relação ao trimestre anterior, passando de 18 mil para 110 mil barris por dia. O movimento ocorreu em um contexto de recuperação da demanda interna e mostra que a ampliação do processamento nas refinarias não elimina, por si só, a necessidade de compras externas.
A Petrobras também trabalha para ampliar sua capacidade de refino nos próximos anos. Entre os projetos previstos estão a expansão da Refinaria de Paulínia (Replan), no interior de São Paulo, e iniciativas relacionadas à Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco. A conclusão dessas obras poderá aumentar a oferta de combustíveis e melhorar a capacidade de resposta da companhia às oscilações da demanda nacional.
No caso da Replan, a próxima grande parada programada para manutenção está prevista para o primeiro semestre de 2027. A intervenção deverá durar cerca de dois meses e incluir obras para ampliar a capacidade de processamento da unidade em aproximadamente 25 mil barris por dia.
A manutenção de índices elevados de utilização, portanto, integra uma estratégia mais ampla de eficiência operacional, aumento da produção e fortalecimento da segurança energética brasileira. O desafio da companhia será conciliar o funcionamento intenso das unidades com a manutenção preventiva, a segurança das operações e a rentabilidade do negócio, sem comprometer a confiabilidade dos equipamentos.
Com a demanda por combustíveis em alta e o mercado internacional sujeito a oscilações de preços, o desempenho das refinarias continuará sendo um indicador importante para avaliar a capacidade da Petrobras de abastecer o mercado brasileiro e reduzir a exposição do país às importações de derivados.






