A Vale está estudando a possibilidade de extrair terras raras, ouro e outros minerais de alto valor a partir de rejeitos de mineração, em uma iniciativa que busca transformar resíduos em novas fontes de receita e reforçar a estratégia de economia circular da companhia. A informação foi confirmada por um executivo da mineradora, que destacou que os estudos ainda estão em fase de avaliação técnica e econômica.
Segundo a empresa, o objetivo é reaproveitar materiais que permaneceram nos rejeitos após o processamento tradicional do minério, utilizando tecnologias capazes de recuperar elementos considerados críticos para a indústria moderna. Entre eles estão as terras raras, essenciais para a fabricação de motores elétricos, turbinas eólicas, baterias, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa, além do ouro e de outros metais que ainda podem estar presentes nos depósitos de rejeitos.
A iniciativa faz parte da estratégia de economia circular da Vale, que busca aumentar a eficiência no uso dos recursos minerais e reduzir o volume de resíduos gerados pelas operações. Em vez de abrir novas frentes de mineração, a companhia pretende avaliar o potencial econômico de materiais já extraídos, mas que, por limitações tecnológicas ou pelas condições de mercado da época, não eram aproveitados integralmente.
O projeto também acompanha uma tendência crescente na indústria mineral global. Com o aumento da demanda por minerais críticos impulsionado pela transição energética e pelo avanço da inteligência artificial, empresas de mineração vêm investindo em tecnologias capazes de recuperar metais de alto valor presentes em rejeitos. Estudos indicam que processos como lixiviação, separação magnética e extração por solventes podem tornar economicamente viável a recuperação de terras raras e outros minerais anteriormente descartados.
Além do potencial financeiro, a estratégia pode trazer benefícios ambientais. O reaproveitamento de rejeitos reduz a necessidade de novas áreas de mineração, diminui o volume de material armazenado em barragens e contribui para uma gestão mais eficiente dos resíduos. A iniciativa também está alinhada às metas de sustentabilidade da Vale, que vem intensificando investimentos em soluções voltadas à redução do impacto ambiental de suas operações após os desastres envolvendo barragens registrados na última década.
A corrida pelas terras raras ganhou importância estratégica nos últimos anos devido ao domínio da China na produção e no processamento desses minerais. Governos e empresas de diferentes países buscam diversificar a oferta global para reduzir a dependência do mercado chinês, tornando projetos de reaproveitamento de rejeitos uma alternativa cada vez mais atrativa para ampliar a disponibilidade desses insumos essenciais à economia de baixo carbono e às cadeias de tecnologia avançada.
Na avaliação de analistas, caso os estudos confirmem a viabilidade econômica, a iniciativa poderá abrir uma nova frente de negócios para a Vale, agregando valor a materiais que antes eram considerados resíduos. Ao mesmo tempo, o projeto reforça a tendência de transformação da mineração, na qual inovação tecnológica, sustentabilidade e melhor aproveitamento dos recursos passam a desempenhar um papel cada vez mais relevante na estratégia das grandes companhias do setor.






