Wall Street encerrou a sessão desta última segunda-feira (21) em forte valorização, impulsionada pela recuperação das ações ligadas à inteligência artificial e pela queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O movimento levou os principais índices para perto de suas máximas históricas, em um ambiente de maior apetite por risco entre os investidores.
O S&P 500 avançou 1,59%, enquanto o Nasdaq Composite subiu 2,29%. O Dow Jones teve alta de 0,80%. Com o resultado, o Nasdaq terminou a menos de 0,1% de seu recorde de fechamento registrado em 2 de junho, enquanto o S&P 500 ficou cerca de 0,5% abaixo da máxima histórica alcançada em 13 de agosto.
O setor de semicondutores esteve entre os principais destaques. As ações da Advanced Micro Devices (AMD) chegaram a subir cerca de 10% e levaram a companhia a atingir, pela primeira vez, uma capitalização de mercado de US$ 1 trilhão. Intel e Arm também avançaram mais de 12% durante a sessão, enquanto o índice PHLX de semicondutores subiu 3,7%.
A Nvidia também contribuiu para o movimento positivo, com alta de 2,3%. O desempenho das empresas de chips ajudou a recuperar parte do terreno perdido na semana anterior, quando declarações de executivos do setor sobre os riscos e os custos do desenvolvimento de inteligência artificial haviam provocado uma onda de vendas nas ações relacionadas à tecnologia.
Além da recuperação da IA, a queda dos rendimentos dos Treasuries ajudou a sustentar o movimento de alta. O rendimento da nota de dez anos recuou para 4,95%, ante 5,01% no fechamento anterior, ficando novamente abaixo da marca de 5% que vinha sendo acompanhada de perto pelo mercado. Rendimentos menores reduzem a pressão sobre as ações, especialmente sobre empresas de crescimento e tecnologia, cujos fluxos de caixa projetados são mais sensíveis às taxas de juros.
O recuo dos juros dos títulos ocorreu em paralelo à queda dos preços do petróleo. O Brent caiu 3,4%, para US$ 100,34 por barril, depois de ter se aproximado de US$ 110 na semana anterior. A redução dos preços da commodity diminuiu parte das preocupações com a inflação e, consequentemente, com a necessidade de juros ainda mais elevados nos Estados Unidos.
O mercado também acompanhou as expectativas de avanços diplomáticos relacionados aos conflitos no Oriente Médio durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada nesta semana em Nova York. A possibilidade de progresso nas negociações ajudou a reduzir o prêmio de risco associado ao petróleo, embora as incertezas sobre a oferta global continuem presentes.
No mercado de juros, porém, os investidores continuam atentos à trajetória da inflação. O Federal Reserve elevou recentemente as taxas pela primeira vez em três anos, e os mercados passaram a considerar aproximadamente 50% de chance de uma nova alta na reunião seguinte, segundo o FedWatch da CME citado pela Reuters. A perspectiva mantém os dados de inflação e os discursos dos dirigentes do banco central no centro das atenções.
O movimento positivo também alcançou o mercado de criptomoedas. O bitcoin subiu 5,3%, atingindo o maior nível em mais de sete meses, enquanto as ações da Coinbase e da Strategy avançaram cerca de 5% e 8%, respectivamente. A valorização reforçou o aumento do apetite por ativos considerados mais sensíveis ao risco.
Com a combinação de queda nos rendimentos dos Treasuries, petróleo mais barato e recuperação das empresas ligadas à inteligência artificial, Wall Street encerrou a sessão próxima de seus recordes. O desempenho, no entanto, ocorre em meio a um cenário ainda marcado por dúvidas sobre inflação, política monetária e tensões geopolíticas, fatores que podem continuar influenciando a direção dos mercados nos próximos dias.






