Os juros futuros negociados na B3 encerraram a última quinta-feira (1º) em alta, com os investidores reduzindo a exposição ao risco diante da proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais. O movimento foi mais intenso nos vencimentos longos, que chegaram a avançar mais de 10 pontos-base durante a segunda etapa do pregão.
A alta ocorre após um mês de setembro marcado pela queda das taxas futuras e pela reavaliação das expectativas para o cenário doméstico. Às vésperas da votação, porém, o mercado passou a adotar uma postura mais cautelosa, especialmente diante das incertezas sobre os rumos da política econômica a partir de 2027.
Taxas de longo prazo concentram pressão
No fechamento, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 passou de 13,55% para 13,559%. Já o DI para janeiro de 2029 avançou de 13,764% para 13,800%.
Na parte mais longa da curva, o DI para janeiro de 2031 subiu de 13,945% para 14,005%. A movimentação indica uma maior exigência de prêmio por parte dos investidores para posições com prazo mais longo, em um momento de elevada sensibilidade aos acontecimentos políticos e fiscais do país.
A curva brasileira também se descolou parcialmente do comportamento dos juros americanos durante o pregão. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries recuaram no fim da sessão, enquanto as taxas brasileiras mantiveram trajetória de alta.
Eleições entram no centro das decisões
A proximidade do primeiro turno aumentou a cautela entre os participantes do mercado. Investidores que haviam ampliado posições em ativos brasileiros durante setembro passaram a reduzir parte do risco antes da votação.
O movimento ocorre após uma sequência de sessões em que a percepção sobre o cenário eleitoral ajudou a derrubar os juros futuros. Com a chegada do pleito, entretanto, o mercado passou a aguardar novos sinais antes de ampliar novamente as apostas.
Analistas consultados pelo Broadcast avaliaram que a alta das taxas nesta quinta-feira refletiu justamente uma redução da exposição ao risco antes da eleição. A atenção está concentrada tanto nos resultados das urnas quanto nas possíveis consequências para a condução da política econômica em 2027.
Petróleo acima de US$ 100 aumenta pressão
Além do cenário eleitoral, a alta do petróleo também contribuiu para a cautela no mercado de renda fixa. O Brent voltou a superar a marca de US$ 100 por barril, em meio às incertezas relacionadas à guerra no Oriente Médio e às perspectivas para a oferta de diesel.
A valorização da commodity aumenta as preocupações com a inflação global, especialmente caso os preços elevados de energia permaneçam por um período prolongado. No Brasil, esse fator pode influenciar as expectativas para a inflação e, consequentemente, as projeções para a trajetória da Selic.
O dólar também ganhou força durante o pregão, adicionando pressão aos ativos brasileiros e contribuindo para um ambiente menos favorável à queda dos juros futuros.
Treasuries recuam, mas ainda permanecem elevados
No mercado americano, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos recuaram no encerramento. A taxa da T-Note de dois anos caiu de 4,88% para 4,793%, enquanto o rendimento do título de dez anos passou de 5,291% para 5,238%.
O movimento ganhou força depois que os dirigentes do Federal Reserve John Williams e Philip Jefferson sinalizaram que uma eventual nova alta dos juros americanos pode demorar mais para ocorrer.
Apesar do alívio nos Treasuries, os rendimentos dos títulos de longo prazo permanecem elevados. Esse cenário continua influenciando os mercados globais e limita o espaço para uma queda mais acentuada dos juros domésticos.
Mercado entra em compasso de espera
Com o primeiro turno marcado para domingo (4), o mercado brasileiro deve permanecer sensível às pesquisas eleitorais, aos eventos de campanha e às declarações dos candidatos nos últimos dias antes da votação.
A trajetória dos juros futuros nos próximos pregões dependerá da interpretação dos investidores sobre os resultados eleitorais e seus possíveis impactos sobre a política fiscal, a inflação e a condução da política monetária.
Enquanto isso, o petróleo, o dólar e os rendimentos dos Treasuries continuarão funcionando como importantes referências externas para a formação das taxas no mercado brasileiro.






