A Petrobras identificou dois reservatórios de petróleo em diferentes profundidades no poço exploratório Morpho, localizado na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá. A informação foi confirmada nesta sexta-feira, 2 de outubro, pela presidente da companhia, Magda Chambriard, após a estatal anunciar uma nova descoberta na área.
O poço está localizado no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas, com lâmina d’água de 2.886 metros. A Petrobras iniciou a perfuração em outubro de 2025 e havia anunciado a primeira descoberta de hidrocarbonetos no local em agosto deste ano. A continuidade da operação permitiu alcançar uma formação mais profunda e identificar um segundo intervalo com presença de petróleo.
Duas descobertas em diferentes profundidades
Segundo Magda Chambriard, o primeiro reservatório encontrado em agosto está localizado em uma camada mais rasa, enquanto a nova descoberta ocorreu em uma profundidade maior. A executiva afirmou que a presença de petróleo em diferentes níveis amplia as informações disponíveis sobre o sistema petrolífero da região.
A nova ocorrência foi identificada a partir de perfis elétricos, indícios observados nas rochas e amostras de fluidos coletadas durante a perfuração. A Petrobras informou que os materiais ainda serão submetidos a análises laboratoriais para caracterizar melhor o petróleo e avaliar as características das formações encontradas.
A companhia já havia concluído a análise do petróleo encontrado na primeira descoberta e informou que o óleo apresenta boa qualidade. Em setembro, uma diretora da Petrobras afirmou que o petróleo de Morpho poderia estar entre os de melhor qualidade produzidos no Brasil, embora a estatal tenha ressaltado que as informações ainda são insuficientes para determinar todo o potencial da área.
Viabilidade comercial ainda não foi confirmada
Apesar das duas descobertas, a Petrobras ainda não considera o ativo uma reserva comercialmente comprovada. A empresa precisa avançar na avaliação das formações, dimensionar os volumes recuperáveis e verificar as condições necessárias para uma eventual produção.
De acordo com Chambriard, a estatal pretende concluir a perfuração do poço Morpho até o fim de outubro. Depois dessa etapa, a companhia planeja perfurar outros três poços na região para delimitar a descoberta e obter informações adicionais sobre o tamanho e as características dos reservatórios.
A campanha complementar está prevista para começar no primeiro trimestre de 2027. Os novos poços serão importantes para determinar se os volumes encontrados podem sustentar uma futura operação comercial.
Foz do Amazonas ganha importância para a Petrobras
A descoberta ocorre dentro da estratégia da Petrobras de buscar novas reservas para compensar o declínio esperado da produção de campos mais maduros no futuro. A Margem Equatorial é considerada pela companhia uma das principais regiões para ampliar o conhecimento sobre novas fronteiras exploratórias.
O bloco FZA-M-59 foi adquirido pela Petrobras na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em 2013. A estatal é operadora e possui 100% de participação na área. O poço Morpho fica a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá.
A região também ganhou relevância após as descobertas de grandes volumes de petróleo na costa da Guiana e do Suriname, que compartilham características geológicas com áreas da Margem Equatorial brasileira.
Nova fronteira envolve desafios ambientais
O avanço da exploração na Foz do Amazonas ocorre em meio a debates sobre os impactos ambientais da atividade petrolífera na região. A Petrobras obteve autorização do Ibama para perfurar o poço Morpho após um longo processo de discussão sobre os riscos associados à exploração em águas ultraprofundas.
A estatal afirma que as atividades seguem protocolos de segurança e que a continuidade da campanha exploratória será realizada de acordo com as exigências ambientais. A empresa também ressalta que as informações obtidas durante a perfuração são importantes para avaliar o potencial dos sistemas petrolíferos da bacia.
Para a Petrobras, a identificação de dois reservatórios no mesmo poço aumenta o conhecimento sobre a área e pode contribuir para a avaliação do potencial de uma nova fronteira de produção no país. No entanto, a confirmação de volumes economicamente recuperáveis ainda depende das próximas etapas de exploração e delimitação.
A expectativa agora está concentrada na conclusão do Morpho e na campanha de novos poços prevista para 2027. Os resultados dessas operações deverão indicar com maior precisão a dimensão dos reservatórios e se a região poderá avançar de uma descoberta exploratória para um projeto de produção comercial.






