A Vale registrou lucro líquido de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre de 2026, uma queda de 53% em relação ao mesmo período do ano passado. O Ebitda ajustado, indicador que mede o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, recuou 24%, para US$ 3,327 bilhões. Os resultados foram divulgados nesta última quinta-feira (29) e refletem principalmente a pressão dos preços realizados do minério de ferro e o aumento dos custos operacionais e logísticos. UOL Economia
A receita líquida de vendas da mineradora somou US$ 10,599 bilhões entre julho e setembro, alta de 2% na comparação anual. Apesar do avanço da receita, a redução da rentabilidade refletiu as dificuldades enfrentadas pelo negócio de minério de ferro, principal atividade da companhia, em um cenário de preços mais baixos e despesas crescentes.
O Ebitda ajustado da divisão de Soluções de Minério de Ferro caiu 34% em relação ao terceiro trimestre de 2025, para US$ 2,63 bilhões. Entre os fatores que pressionaram o resultado estão a redução dos preços realizados da commodity, a valorização do real frente ao dólar e o aumento dos custos de frete e produção.
O preço médio realizado pela Vale nas vendas de minério de ferro ficou em US$ 85,10 por tonelada, recuo de 10% em relação ao trimestre anterior. A combinação de preços menores e custos logísticos mais elevados reduziu a contribuição do segmento para o resultado consolidado da empresa.
Produção de minério de ferro recua, mas vendas avançam
A produção de minério de ferro da Vale totalizou 88,4 milhões de toneladas no terceiro trimestre, queda de 6% na comparação anual. O resultado foi influenciado principalmente pela menor disponibilidade de minério no Sistema Norte, cuja produção recuou 14%.
Apesar da redução na extração, as vendas de minério de ferro avançaram 0,3% em relação ao mesmo período de 2025, alcançando 86,3 milhões de toneladas. O desempenho indica que a companhia conseguiu manter o volume comercializado mesmo diante das dificuldades operacionais que afetaram a produção.
A produção de pelotas também apresentou crescimento, atingindo 8,6 milhões de toneladas, alta de 7% em um ano. Já o Sistema Serra Sul, que inclui o complexo S11D, registrou recorde trimestral de produção, com 23,8 milhões de toneladas.
A mineradora manteve suas projeções de produção para 2026, com a meta de produzir entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de minério de ferro ao longo do ano.
Negócio de cobre ajuda a compensar pressão sobre o minério
Enquanto o segmento de minério de ferro apresentou resultados mais fracos, a divisão Vale Base Metals, responsável pelas operações de metais básicos, registrou desempenho positivo. O Ebitda da unidade alcançou US$ 1,1 bilhão no terceiro trimestre, crescimento de 61% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O principal destaque foi o cobre, cujo Ebitda avançou 66%, para aproximadamente US$ 1,02 bilhão. O resultado foi impulsionado pelos preços mais elevados da commodity e de seus subprodutos.
A produção de cobre, entretanto, caiu 6% na comparação anual, para 85,5 mil toneladas, refletindo principalmente a manutenção programada do moinho SAG da operação de Sossego. As vendas do metal recuaram 4% no período.
No segmento de níquel, a produção cresceu 6%, alcançando 49,7 mil toneladas, enquanto as vendas avançaram 16,1%, para 49,8 mil toneladas. O Ebitda da operação de níquel, porém, caiu 14%, para US$ 98 milhões.
A Vale mantém a estratégia de ampliar sua participação nos mercados de metais básicos, especialmente cobre, considerado relevante para a transição energética, a eletrificação e a expansão da infraestrutura de tecnologia. A empresa pretende aumentar sua produção anual do metal de aproximadamente 380 mil toneladas para cerca de 700 mil toneladas até 2034.
Custos elevados pressionam a rentabilidade
O aumento das despesas operacionais foi outro fator importante para explicar a redução do Ebitda. O custo caixa C1, indicador que mede os custos diretos de produção do minério de ferro, subiu 12% em um ano, para US$ 23,10 por tonelada.
Segundo a companhia, a valorização do real e os custos do diesel contribuíram para pressionar as despesas. O encarecimento do transporte marítimo também pesou sobre os resultados.
O custo all-in, que considera os gastos desde a extração até a entrega do minério no porto, chegou a US$ 60,40 por tonelada, alta de 21% na comparação anual. O avanço evidencia o impacto da logística sobre a rentabilidade da operação.
A combinação de custos mais elevados e preços realizados menores reduziu a margem do negócio de minério de ferro, mesmo com a manutenção dos volumes de vendas.
Fluxo de caixa e endividamento
O fluxo de caixa livre recorrente da Vale ficou em aproximadamente US$ 1,4 bilhão no trimestre, redução de cerca de US$ 200 milhões em relação ao mesmo período de 2025. A companhia atribuiu o resultado à queda do Ebitda pro forma, parcialmente compensada por estratégias de proteção financeira e gestão do capital de giro.
O fluxo de caixa livre total somou US$ 2,23 bilhões, recuo de 9% na comparação anual. Já a dívida líquida expandida encerrou setembro em US$ 16,4 bilhões, queda de aproximadamente 2% em relação ao trimestre anterior.
O nível de endividamento permanece dentro da faixa de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões estabelecida pela companhia. Ainda assim, a Vale tem sinalizado que uma dívida líquida expandida acima de US$ 15 bilhões reduz a possibilidade de distribuição de dividendos extraordinários, em linha com a política de disciplina de capital.
A geração de caixa e o controle do endividamento seguem no radar dos investidores, especialmente diante da volatilidade dos preços do minério de ferro e das despesas logísticas.
Perspectivas para os próximos trimestres
A Vale manteve suas projeções de produção para 2026 e informou que cobre e níquel continuam caminhando para a metade superior das respectivas faixas previstas. A evolução dessas operações poderá contribuir para diversificar as fontes de resultado da mineradora e reduzir a dependência do minério de ferro no longo prazo.
No curto prazo, porém, o desempenho financeiro continuará condicionado ao comportamento dos preços internacionais do minério, à evolução dos custos de frete e à eficiência operacional das minas.
O balanço do terceiro trimestre mostra que o aumento da receita não foi suficiente para impedir a queda do lucro e do Ebitda. Para os próximos períodos, o desafio da Vale será recuperar a rentabilidade do negócio de minério de ferro, controlar os custos e avançar na expansão dos metais básicos sem comprometer a geração de caixa.






