As ações da Amazon caíram nesta quinta-feira (29) após a companhia divulgar resultados do terceiro trimestre de 2026 e apresentar uma previsão de receita para o período de festas de fim de ano abaixo das expectativas médias de Wall Street. A reação dos investidores também foi influenciada pela forte queima de caixa provocada pelos investimentos em inteligência artificial (IA) e infraestrutura tecnológica.
No pregão regular, os papéis da empresa recuaram 4,3%, encerrando a sessão a US$ 243,79. Após a divulgação dos resultados, as ações chegaram a cair mais de 7% nas negociações estendidas, refletindo a preocupação do mercado com o volume de recursos destinados à expansão dos negócios e o tempo necessário para que esses investimentos se convertam em retorno financeiro.
A Amazon projeta receita entre US$ 240 bilhões e US$ 247 bilhões no quarto trimestre, intervalo que inclui a temporada de compras de fim de ano. O ponto médio da estimativa, de US$ 243,5 bilhões, ficou abaixo da previsão média dos analistas, de US$ 244,51 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG. Embora a empresa espere crescimento anual de 12% a 16% no período, a projeção não foi suficiente para tranquilizar os investidores.
Outro fator de preocupação foi o fluxo de caixa livre. Nos 12 meses encerrados em setembro, a companhia registrou saída de US$ 42,4 bilhões nessa métrica, que representa o dinheiro disponível após os gastos operacionais e os investimentos. No mesmo período do ano anterior, a Amazon havia gerado US$ 14,8 bilhões em fluxo de caixa livre positivo.
A pressão está relacionada principalmente à expansão da infraestrutura de inteligência artificial e computação em nuvem. Os investimentos em bens de capital, líquidos de incentivos e receitas com vendas de ativos, aumentaram significativamente, contribuindo para a redução do caixa disponível. A empresa mantém a previsão de desembolsar aproximadamente US$ 220 bilhões em investimentos de capital ao longo de 2026.
Durante uma conversa com analistas, o presidente-executivo Andy Jassy indicou que os gastos de capital deverão ser ainda maiores em 2027, sem divulgar um valor específico. A estratégia busca ampliar a capacidade de processamento e os centros de dados para atender à demanda por serviços de inteligência artificial. A perspectiva de novos desembolsos, porém, aumentou as dúvidas sobre a capacidade da companhia de sustentar os investimentos sem comprometer a geração de caixa.
Apesar da reação negativa do mercado, a divisão de computação em nuvem Amazon Web Services (AWS) apresentou um desempenho expressivo. A receita da unidade avançou 39,3% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, alcançando US$ 46 bilhões. O resultado representa o ritmo de crescimento mais acelerado da divisão em quase cinco anos e superou as expectativas dos analistas.
O lucro operacional da AWS chegou a US$ 17,8 bilhões, ante US$ 11,4 bilhões no terceiro trimestre de 2025. O desempenho reforça a importância da computação em nuvem para os resultados do grupo, especialmente diante da crescente procura por capacidade computacional para aplicações de inteligência artificial. Ainda assim, o crescimento da divisão não foi suficiente para compensar as preocupações com os gastos elevados e as perspectivas para o varejo.
No conjunto, a Amazon registrou receita de US$ 201,9 bilhões no terceiro trimestre, alta de 12% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro operacional subiu de US$ 17,4 bilhões para US$ 28,1 bilhões, enquanto o lucro líquido recuou de US$ 21,2 bilhões para US$ 20,7 bilhões. O lucro por ação foi de US$ 1,89, abaixo das projeções do mercado.
A companhia explicou que a mudança no calendário do Prime Day afetou a comparação anual. Em 2026, o evento promocional ocorreu no segundo trimestre na maioria dos principais mercados, enquanto no ano anterior havia sido realizado no terceiro trimestre. Esse deslocamento influenciou os resultados das operações de comércio eletrônico e publicidade.
A receita com publicidade cresceu 12% no trimestre, abaixo das expectativas dos analistas e do ritmo registrado nos períodos anteriores. A administração atribuiu parte da desaceleração a fatores de calendário e afirmou esperar uma retomada do crescimento para a faixa dos dois dígitos elevados no quarto trimestre.
O cenário coloca a Amazon diante do desafio de equilibrar a expansão dos negócios com a disciplina financeira. A AWS continua apresentando crescimento robusto, mas os investidores querem sinais de que os recursos destinados à inteligência artificial gerarão receitas e lucros suficientes para justificar o volume de gastos. A evolução do fluxo de caixa, o desempenho das vendas de fim de ano e o retorno dos investimentos em centros de dados devem permanecer entre os principais fatores observados pelo mercado nas próximas divulgações da empresa.






