A forte queda da Bolsa brasileira após o segundo turno das eleições marcou o desempenho dos investimentos em outubro de 2026. Para preparar a notícia com base no levantamento do Seu Dinheiro, o principal ponto é a diferença entre aplicações pós-fixadas, como o Tesouro Selic e investimentos atrelados ao CDI, e ativos sujeitos a oscilações de mercado. Vale uma ressalva: esses investimentos não são literalmente livres de riscos, mas tendem a apresentar menos volatilidade no curto prazo do que ações e títulos públicos prefixados ou atrelados à inflação negociados antes do vencimento.
A turbulência nos mercados financeiros brasileiros após o segundo turno das eleições presidenciais transformou outubro em um mês difícil para os investidores. Enquanto a Bolsa acumulou perdas expressivas e ativos de risco sofreram com a mudança nas expectativas econômicas, aplicações de renda fixa pós-fixada, como o Tesouro Selic e os investimentos atrelados ao CDI, mantiveram retornos positivos. O desempenho reforçou a importância dessas modalidades em períodos de maior volatilidade.
Levantamento publicado pelo InfoMoney nesta sexta-feira (30), com dados compilados pela Elos Ayta, mostra que o Ibovespa acumulava queda de 9,21% em outubro até o pregão de quinta-feira (29). O índice, que chegou a registrar uma valorização de 28,4% no ano após o primeiro turno, passou a acumular alta de apenas 5% em 2026. No mesmo período, o CDI registrou retorno de 1,02% no mês e de 11,63% no ano. (InfoMoney)
O movimento da Bolsa foi acompanhado por perdas em outros segmentos do mercado financeiro. O índice de small caps, que reúne empresas de menor capitalização negociadas na B3, caiu 16,67% em outubro, enquanto o índice de dividendos recuou 9,14%. Os fundos imobiliários, representados pelo IFIX, também registraram queda, de 3,27% no mês.
A mudança de cenário ocorreu após o primeiro turno, quando a expectativa de alterações na condução econômica impulsionou os ativos brasileiros. Na sequência, as incertezas relacionadas à política fiscal e às perspectivas para o próximo governo contribuíram para uma reversão do movimento. Depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 25 de outubro, o mercado ampliou a aversão ao risco, pressionando as ações e elevando a cotação do dólar.
Nesse contexto, o Tesouro Selic e os investimentos vinculados ao CDI apresentaram uma característica importante: a menor exposição às oscilações de preços que afetam títulos prefixados e papéis indexados à inflação negociados no mercado secundário. Como a remuneração dessas aplicações acompanha as taxas de juros de curto prazo, seus rendimentos tendem a ser mais estáveis ao longo do tempo.
Isso não significa, porém, que sejam investimentos sem risco ou que nunca possam apresentar perdas em qualquer circunstância. No caso do Tesouro Selic, a venda antecipada pode envolver pequenas oscilações de preço e custos. Já aplicações bancárias atreladas ao CDI dependem das condições do produto contratado e, no caso de depósitos e determinados títulos, podem estar sujeitas aos limites e às regras de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O desempenho da renda fixa também precisa ser analisado em relação à inflação e aos impostos. Um investimento pode apresentar retorno nominal positivo e, ainda assim, oferecer ganho real menor depois de descontada a inflação. Da mesma forma, a rentabilidade líquida de aplicações tributáveis depende do prazo de permanência e da alíquota de Imposto de Renda aplicável.
O ranking de outubro mostra que nem todos os ativos sofreram perdas. A alta do dólar e dos recibos de ações estrangeiras negociados na B3 ajudou a compensar parte da desvalorização dos investimentos domésticos. O índice de BDRs avançou 1,48% no mês, enquanto o dólar Ptax subiu 3,73%. O resultado evidencia que a diversificação entre diferentes classes de ativos pode influenciar o desempenho total de uma carteira em períodos de instabilidade.
Confira o ranking dos investimentos em outubro de 2026:
| Investimento | Rentabilidade em outubro | Rentabilidade em 2026 |
|---|---|---|
| BDRs (BDRX) | +1,48% | +11,18% |
| CDI | +1,02% | +11,63% |
| Títulos públicos (IMA Geral) | +0,14% | +10,27% |
| Poupança | +0,67% | +6,86% |
| Ibovespa | -9,21% | +5,00% |
| Índice de dividendos (IDIV) | -9,14% | +2,85% |
| Dólar Ptax | +3,73% | -2,33% |
| Fundos imobiliários (IFIX) | -3,27% | -3,79% |
| Bitcoin, em reais | -1,23% | -11,37% |
| Small caps (SMLL) | -16,67% | -18,02% |
Dados de outubro até 29 de outubro, com exceções para indicadores cujas datas de referência são diferentes. Os retornos podem variar conforme o período de apuração e a metodologia utilizada. O IMA Geral representa uma carteira de títulos públicos e não corresponde exclusivamente ao Tesouro Selic.
O levantamento indica que o CDI permaneceu entre os investimentos de melhor desempenho acumulado no ano, enquanto a Bolsa brasileira devolveu boa parte dos ganhos registrados anteriormente. A diferença evidencia como mudanças nas expectativas econômicas e políticas podem provocar alterações rápidas nos preços dos ativos.
Para o investidor, o período também reforça a distinção entre preservar a estabilidade da carteira no curto prazo e buscar ganhos maiores em horizontes mais longos. Aplicações pós-fixadas tendem a acompanhar os juros correntes, enquanto títulos prefixados e indexados à inflação podem oferecer oportunidades de valorização quando as taxas de mercado caem, mas também sofrer desvalorizações quando essas taxas sobem.
A trajetória dos mercados nos próximos meses dependerá de fatores como as decisões do Banco Central sobre a Selic, as expectativas para a inflação, a evolução das contas públicas e as condições internacionais de liquidez. Até lá, os resultados de outubro mostram que a volatilidade pode alterar significativamente o desempenho de investimentos que, em períodos mais tranquilos, pareciam seguir uma trajetória de valorização contínua.






