A guerra no Golfo Pérsico elevou o preço do petróleo no mundo inteiro. Mas vai faltar combustível no Brasil? A resposta, por enquanto, é não.
Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o risco de desabastecimento é descartado no curto e médio prazos. O motivo é simples: o Brasil é autossuficiente em petróleo bruto. Além disso, ainda exporta excedentes.
Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram produção média de 4 milhões de barris por dia. O consumo interno, por sua vez, fica em 2,6 milhões. Portanto, há uma folga significativa.
Então por que o brasileiro vai sentir no bolso?
O problema está nos derivados. O Brasil importa diesel, querosene de aviação e GLP. São exatamente esses produtos que ficam mais caros quando o barril sobe lá fora.
Além disso, o país depende de fora em 85% dos fertilizantes que usa. Assim, o choque externo chega à mesa do brasileiro de várias formas não apenas na bomba de gasolina.
A Petrobras tem como amortecer mas não indefinidamente
Desde 2023, a Petrobras abandonou a Política de Paridade Internacional (PPI). Antes, ela repassava 100% das variações externas ao consumidor. Agora, porém, considera fatores internos na hora de definir preços.
Essa mudança dá à estatal margem para segurar parte do impacto. Contudo, especialistas alertam: o fôlego é limitado.
Ticiana Álvares, diretora do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep), defende que o país precisa avançar na produção interna de insumos. Para ela, a crise atual reforça essa urgência.
A guerra também traz oportunidade
Nem tudo é notícia ruim. O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, lembra que a alta do barril também injeta mais dólares na economia brasileira. Isso amplia o superávit comercial do país.
Além disso, conflitos como esse costumam redesenhar rotas comerciais. Dessa forma, o petróleo brasileiro pode ganhar espaço no mercado asiático.






