A escalada de conflitos geopolíticos tem colocado novos obstáculos para a transição energética global, atrasando projetos e elevando custos de tecnologias consideradas essenciais para reduzir emissões de carbono. A avaliação foi destacada em análise publicada pelo portal Capital Reset, que aponta como crises e disputas internacionais estão influenciando decisões de investimento no setor energético.
Segundo o veículo, a expansão da geração de energia limpa continua batendo recordes no mundo, mas o consumo de combustíveis fósseis também segue crescendo. Na prática, o sistema energético global ainda está “empilhando” novas fontes em vez de substituir as antigas, o que torna a transição mais lenta do que o esperado.
Um dos fatores que explicam essa desaceleração é o peso da segurança energética em momentos de crise. Em cenários de conflito ou instabilidade no mercado internacional, governos tendem a priorizar o abastecimento e o custo da energia, deixando as metas climáticas em segundo plano. Esse fenômeno ficou evidente durante a crise energética europeia entre 2021 e 2023, quando países mobilizaram mais de €1 trilhão para proteger consumidores da alta nos preços após a ameaça ao fornecimento de gás russo.
Outro gargalo destacado é a infraestrutura necessária para integrar fontes renováveis. Embora os investimentos em geração de eletricidade limpa tenham crescido cerca de 70% desde 2015, alcançando aproximadamente US$ 1 trilhão por ano, os gastos com redes elétricas não acompanham o mesmo ritmo e ficam em torno de US$ 400 bilhões anuais. Essa diferença provoca congestionamentos nas redes, atrasos na conexão de novos projetos e aumento de custos para consumidores.
Projetos considerados estratégicos para descarbonização também enfrentam dificuldades. O hidrogênio verde, apontado como alternativa para reduzir emissões na indústria pesada, ainda encontra barreiras econômicas. Mesmo com incentivos bilionários na Europa, algumas iniciativas foram adiadas devido ao aumento de custos — que subiram mais de 50% entre 2022 e 2024.
Especialistas afirmam que a história das transições energéticas mostra que mudanças estruturais levam décadas. Em média, uma nova fonte de energia demora de 40 a 50 anos para sair de 1% e alcançar 10% da oferta global. Nesse cenário, conflitos e crises geopolíticas podem prolongar ainda mais o caminho rumo a uma economia de baixo carbono.






