A implementação das metas climáticas do Brasil pressiona o setor industrial a definir rapidamente como dividir os custos e responsabilidades da redução de emissões. A avaliação é apresentada no artigo “A indústria precisa dividir a conta do carbono – o prazo está correndo”, publicado pelo veículo Capital Reset.
Segundo a análise, o Plano Clima 2024–2035 marca a transição de uma fase de debates gerais para uma etapa de responsabilidades concretas para os setores econômicos. A estratégia nacional de mitigação organiza metas setoriais para cumprir os compromissos assumidos pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris, que prevê a redução das emissões de gases de efeito estufa.
No caso da indústria pesada — que inclui segmentos como ferro e aço, cimento, alumínio, papel e celulose, químicos e vidro — o plano prevê que as emissões poderão crescer entre 13% e 34% até 2035, dependendo do ritmo de adoção de tecnologias e eficiência energética. Mesmo com essa margem de crescimento, o setor terá de adotar medidas para reduzir a intensidade de carbono da produção.
Entre as principais estratégias previstas estão o aumento da participação da eletricidade no consumo energético industrial para 24%, a elevação do uso de fontes renováveis para mais de 65%, ganhos de eficiência energética de 4% a 8% e a redução de 30% no uso de HFCs, gases utilizados em sistemas de refrigeração. O plano também aponta o avanço de tecnologias como captura e armazenamento de carbono como parte das soluções para o setor.
Outro fator decisivo será a regulamentação do mercado regulado de carbono no país. A legislação prevê um sistema de comércio de emissões que estabelecerá limites de emissão por setor e a distribuição de permissões, criando um orçamento de carbono para a indústria. A definição das regras deve ocorrer por meio do plano nacional de alocação, atualmente em elaboração pelo governo.
A expectativa é que as normas infralegais que estruturam esse sistema sejam publicadas ainda em 2026, antes do prazo máximo previsto na lei, que vai até dezembro de 2026. A partir disso, a meta agregada para o setor industrial passará a ser traduzida em cotas de emissão por instalação ou empresa.
De acordo com a análise publicada pelo Capital Reset, se as empresas não discutirem internamente como dividir esse orçamento de carbono, o risco é que a decisão seja definida pelo regulador. Nesse cenário, a forma de distribuição das cotas poderá impactar diretamente investimentos, custos de produção e competitividade das companhias.






