Os pedidos de resgate no principal fundo de crédito privado da Ares Management registraram queda no terceiro trimestre de 2026, em mais um sinal de redução das pressões sobre o setor. O movimento ocorre após meses de retiradas elevadas, motivadas por preocupações dos investidores com a qualidade dos empréstimos e os riscos associados às empresas financiadas por gestoras de ativos alternativos.
Segundo informações divulgadas nesta última quinta-feira (24), os investidores solicitaram o resgate de 13,1% das cotas do Ares Strategic Income Fund, ante 14,4% no trimestre anterior. O fundo, que administra aproximadamente US$ 22,7 bilhões, manteve o limite habitual de recompra de 5% das cotas, conforme documento regulatório.
A redução dos pedidos representa um avanço para a gestora, embora o volume solicitado ainda permaneça acima da capacidade de resgate trimestral do fundo. Isso significa que parte dos investidores continuará aguardando novas oportunidades para retirar os recursos.
Pedidos acumulados começam a diminuir
Uma parcela significativa das solicitações registradas no terceiro trimestre corresponde a pedidos realizados anteriormente e que ainda não haviam sido integralmente atendidos. De acordo com a Ares, os novos pedidos de retirada representaram aproximadamente 3% do patrimônio líquido do fundo.
A gestora informou que os investidores que solicitaram resgates pela primeira vez no primeiro trimestre de 2026 e renovaram os pedidos nos dois trimestres seguintes deverão ter recebido quase 80% do capital originalmente solicitado após a conclusão da atual rodada de recompras.
Caso o ritmo de novas solicitações permaneça próximo ao observado no terceiro trimestre, a expectativa do fundo é atender à maior parte dos pedidos pendentes até o fim deste ano.
Mercado de crédito privado apresenta sinais de estabilização
A redução das solicitações na Ares acompanha um movimento semelhante observado em outras grandes gestoras de ativos alternativos dos Estados Unidos.
A Apollo Global Management também registrou diminuição nos pedidos de retirada de seu principal fundo de crédito privado. No terceiro trimestre, os investidores solicitaram o resgate de aproximadamente 14,7% das cotas do Apollo Debt Solutions, abaixo dos 16,8% registrados no trimestre anterior.
A BlackRock apresentou uma tendência semelhante, reforçando os sinais de que a pressão por liquidez nos grandes fundos de crédito privado pode estar começando a diminuir.
Apesar disso, os pedidos de resgate continuam elevados em relação aos limites habituais desses veículos de investimento. A diferença entre o volume solicitado e o montante efetivamente disponibilizado para retirada mantém parte dos investidores em filas de resgate.
Preocupações com inteligência artificial e qualidade do crédito
O mercado de crédito privado enfrentou um período de turbulência em 2026, especialmente entre os fundos que oferecem acesso a investidores de alta renda.
Parte das preocupações está relacionada aos padrões de concessão de empréstimos e à capacidade de pagamento das empresas financiadas. O setor de tecnologia, particularmente as companhias de software, passou a receber maior atenção diante das possíveis mudanças provocadas pelo avanço da inteligência artificial.
Investidores temem que a transformação dos modelos de negócios dessas empresas comprometa suas receitas e, consequentemente, sua capacidade de honrar dívidas contratadas com fundos de crédito privado.
Além disso, a liquidez limitada desses investimentos contribuiu para ampliar as preocupações. Diferentemente de fundos que negociam ativos em mercados públicos, os veículos de crédito privado geralmente possuem regras específicas para retiradas, incluindo limites trimestrais de recompra.
A redução dos pedidos de resgate representa, portanto, um sinal de alívio para a Ares e outras gestoras do setor. Entretanto, a continuidade dessa tendência dependerá da evolução da qualidade das carteiras de crédito, das condições econômicas e da confiança dos investidores nos próximos trimestres.






