A resposta do Brasil ao tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos do agronegócio já começa a se refletir em novas oportunidades comerciais e fluxos de capital. A China habilitou 183 empresas brasileiras para exportação de café, autorizou embarques de gergelim e abriu as primeiras licenças para farinhas de aves e suínos. Enquanto o governo busca diversificar destinos, produtores aproveitam o novo fôlego financeiro para ampliar investimentos e garantir segurança patrimonial, inclusive no mercado de imóveis de luxo no litoral.
Em Itapema (SC), uma das cidades com mercado imobiliário mais valorizado do Brasil, segunda no ranking nacional, construtoras como a Gandin têm adaptado suas estratégias para atender esse novo perfil de comprador rural. Atualmente, cerca de 70% dos clientes da empresa vêm do agro, e os planos de pagamento são ajustados conforme o ciclo da safra, em vez de seguir o tradicional parcelamento mensal.
“Grande parte dos nossos compradores vem do interior do Paraná, do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul. São empresários do campo que enxergam no imóvel de alto padrão uma forma segura de preservar valor, com retorno proporcional ao que investem. A valorização dos nossos empreendimentos chega a ultrapassar 20% ao ano em áreas próximas da orla. Para esse perfil, oferecemos negociação direta, sem intermediação bancária, e com cronograma de pagamento alinhado ao calendário de safra”, explica Marcos Gandin Junior, sócio da Gandin Construtora.
Além da flexibilidade, outro atrativo para esse investidor é a entrega dos imóveis já decorados e mobiliados, prontos para uso ou locação. “Eles buscam conforto, liquidez e zero dor de cabeça. Muitos compram para as férias com a família, outros para diversificar o patrimônio. Mas todos esperam sofisticação e praticidade”, afirma Gandin.
Segundo o Índice FipeZap, Itapema teve um salto de 13,29% no valor do metro quadrado apenas nos últimos 12 meses, bem acima da média nacional, de 7,31%. No recorte dos últimos cinco anos, a valorização acumulada chega a 128,7%, com o preço médio que subiu de R$ 6.416 em julho de 2020 para R$ 14.672 em julho de 2025. O crescimento consolidado da cidade, que hoje ocupa a vice-liderança no ranking do metro quadrado mais valorizado do Brasil, tem atraído investidores de perfil patrimonialista.
“Esse investidor do agro com quem lidamos tem uma mentalidade patrimonialista. Ele não busca giro rápido nem especulação. Quer imóveis sólidos, bem localizados, com potencial de valorização constante e que possam ser usados pela família ou gerar renda com segurança. É um público que pensa em legado, e não em oportunidade pontual”, conclui Marcos.






