A Anthropic informou ter interrompido diversas operações consideradas maliciosas que exploravam seus modelos de inteligência artificial Claude. Entre os casos identificados estão campanhas atribuídas a grupos ligados à Rússia e a empresas chinesas de IA que teriam utilizado o sistema para espionagem cibernética, extração de capacidades tecnológicas e treinamento de modelos concorrentes. As informações foram divulgadas pela empresa em seu mais recente relatório de inteligência sobre ameaças.
Um dos principais casos envolve empresas chinesas que, segundo a Anthropic, tentaram reproduzir as capacidades do Claude por meio de uma técnica conhecida como “destilação”. O processo consiste em realizar grandes quantidades de consultas a um modelo avançado para obter respostas que possam ser utilizadas no treinamento ou aperfeiçoamento de outro sistema de inteligência artificial.
De acordo com a empresa, uma operação associada à Alibaba foi considerada a maior campanha de extração ilícita identificada até agora. Entre maio e julho de 2026, mais de 151 milhões de interações consideradas suspeitas foram vinculadas a contas relacionadas à operação, com o objetivo de ajudar no aprimoramento dos modelos da família Qwen. A Anthropic afirma que milhares de contas fraudulentas foram utilizadas para realizar as consultas.
Outras empresas chinesas também foram citadas no relatório. A Anthropic afirma que Moonshot AI e DeepSeek teriam encaminhado conversas de usuários para o Claude e utilizado as respostas como dados de treinamento. Em alguns casos, segundo a companhia, as interações poderiam conter informações sensíveis, aumentando as preocupações sobre privacidade e uso indevido de dados.
Na frente russa, a Anthropic relacionou uma operação ao grupo conhecido como Midnight Blizzard. Segundo a empresa, os envolvidos utilizaram o Claude para auxiliar ataques cibernéticos contra setores do governo, das Forças Armadas e da área diplomática da Ucrânia. A inteligência artificial teria sido empregada, entre outras funções, para modificar automaticamente códigos maliciosos com o objetivo de dificultar sua identificação por sistemas de segurança.
O relatório também aponta outros episódios de uso indevido dos modelos. A Anthropic identificou tentativas envolvendo desenvolvimento de softwares relacionados a armas convencionais, além de atividades de grupos criminosos e operações de vigilância. A empresa afirma ter bloqueado as contas associadas aos casos e compartilhado informações relevantes com autoridades e outras organizações do setor.
As descobertas aumentam a preocupação sobre o avanço do uso de inteligência artificial em operações de espionagem e ataques cibernéticos. Para a Anthropic, a evolução rápida das capacidades dos modelos nos últimos meses também elevou o potencial de utilização dessas ferramentas por governos, empresas e grupos criminosos.
O episódio ocorre em meio ao aumento das disputas entre Estados Unidos e China pelo domínio da inteligência artificial. Washington vem ampliando as discussões sobre segurança e proteção da propriedade intelectual no setor, enquanto empresas chinesas avançam no desenvolvimento de modelos próprios. As acusações da Anthropic também devem contribuir para o debate sobre limites de acesso, proteção de dados e mecanismos capazes de impedir a reprodução não autorizada de modelos avançados.






