Os negócios do Grupo Mateus no Ceará devem ser impactados após os últimos acontecimentos referentes à companhia, como as multas bilionárias aplicadas pela Receita Federal e as demissões em massa. Especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste ponderam que a inauguração de novas lojas deve ser adiada enquanto o Grupo não melhora as margens de lucro do negócio.
A questão mais recente envolve uma multa bilionária de R$ 1,28 bilhão aplicada pela Receita Federal. O motivo foi um erro contábil que levou à exclusão da base de cálculo de documentos tributários obrigatórios de créditos presumidos de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) referentes a 2022 e 2023.
Foi a segunda multa bilionária do grupo pelo mesmo motivo em pouco menos de dois anos. Ainda em 2026, a empresa consolidou um processo de demissão de mais de seis mil funcionários em seis estados — incluindo o Ceará.
Soma-se a esses impasses a paralisação de obras anunciadas há anos, como o Hiper Mateus do grupo no bairro Aldeota, no cruzamento entre as avenidas Antônio Sales e Barão de Studart. A construção, iniciada em 2024, está parada há mais de um ano.
Há ainda terrenos nos bairros Parangaba e Messejana, comprados pelo Grupo Mateus, mas que nunca saíram do papel.
A reportagem procurou o Grupo Mateus via assessoria de imprensa para buscar entender a situação da empresa em meio às divulgações recentes, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.
Cautela em novas inaugurações
As obras paradas há mais de um ano e meio na Aldeota do primeiro hipermercado do Grupo Mateus devem continuar dessa forma por um bom tempo, como argumenta Guilherme Fiore Pedrosa, head de Renda Variável da Pequod Investimentos.
A paralisação aconteceu antes mesmo do aumento das incertezas envolvendo o grupo, e a tendência é de que a empresa opte por uma mudança de negócios no local.
“Já é um sinal de que eles estavam tentando inovar, e pararam antes por ficar com receio. Em um momento mais crítico, é sempre mais prudente ser cauteloso. Acredito que devem estar revisando o que fazer naquele local, mas não deve seguir como hipermercado”, classifica.
Juros altos e cenário econômico são determinantes
Para Christian Avesque, especialista em varejo e professor da Faculdade CDL, parte das incertezas do grupo considera os juros altos e o cenário macroeconômico, determinante para a redução do poder de compra dos consumidores.
“O Grupo Mateus tomou uma decisão em 2025 de sair daquele ‘atacarejo raiz’, trazendo mais serviços, especialidades e categorias com um tíquete maior, como açougue, padaria, rotisseria. Isso fez com que a rentabilidade caísse”, declara.
Além disso, há ainda a redução no valor das ações do grupo, que derreteram o valor de mercado da empresa na Bolsa de Valores (B3) com as últimas notícias divulgadas.






