O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou na última quarta-feira (22) que a reabertura do Estreito de Ormuz é “impossível” enquanto os Estados Unidos mantiverem o bloqueio naval e, na visão de Teerã, continuarem a violar o cessar-fogo. A declaração elevou a tensão em torno da principal rota energética do mundo, justamente em um momento de incerteza sobre a continuidade da trégua.
Em mensagem publicada na rede X, Ghalibaf escreveu que “um cessar-fogo completo só faz sentido se não for violado pelo bloqueio marítimo”. Além disso, disse que a reabertura de Ormuz não pode ocorrer diante de uma “violação tão flagrante” da trégua. Na mesma mensagem, o parlamentar também atacou o que chamou de belicismo israelense em Gaza e no sul do Líbano.
Ghalibaf endurece discurso sobre o Estreito de Ormuz
A fala do chefe do Parlamento iraniano reforça a linha adotada por Teerã nos últimos dias. O governo iraniano passou a condicionar qualquer avanço diplomático ao fim do bloqueio naval liderado pelos EUA. Por isso, a mensagem de Ghalibaf não trata apenas de navegação. Ela também funciona como recado político a Washington e aos mediadores que tentam reativar as negociações.
Na prática, o Irã sustenta que não há cessar-fogo real enquanto navios ligados ao país continuarem sob pressão militar ou econômica. Essa interpretação ficou ainda mais forte depois de Washington manter a política de bloqueio mesmo após Donald Trump anunciar uma extensão da trégua.
Bloqueio dos EUA mantém impasse no Golfo
Segundo a Reuters, os Estados Unidos mantiveram o bloqueio naval ao Irã mesmo depois de Trump indicar que prorrogaria o cessar-fogo. Ao mesmo tempo, a região continuou cercada de relatos sobre navios atacados, abordados ou apreendidos no Estreito de Ormuz, o que ampliou a sensação de instabilidade sobre a rota.
Esse cenário pesa porque Ormuz segue como uma das vias mais sensíveis do comércio global de energia. Quando a tensão sobe ali, o mercado reage rapidamente em petróleo, frete marítimo, seguros e inflação. Por isso, cada nova declaração sobre a reabertura ou não do estreito passa a ter efeito muito além do campo militar. Essa leitura é inferencial, mas se apoia no peso estratégico da rota e na escalada recente.
Trump sinaliza prazo extra, mas sem trégua indefinida
O impasse ganhou outra camada porque as mensagens vindas de Washington seguiram ambíguas. Fontes ouvidas pela Reuters disseram que Trump estaria disposto a oferecer entre três e cinco dias adicionais ao Irã. Por outro lado, o presidente norte-americano negou que a trégua fosse indefinida. Um dia antes, ele já havia dito à CNBC que não queria estender o cessar-fogo por muito tempo.
Assim, o quadro ficou mais confuso. De um lado, a Casa Branca tenta preservar espaço para negociação. De outro, mantém pressão militar e econômica sobre Teerã. Esse desencontro ajuda a explicar por que autoridades iranianas passaram a endurecer o discurso sobre Ormuz e sobre a própria utilidade da trégua.
Reabertura de Ormuz segue sem definição clara
A incerteza sobre o status do estreito aumentou nesta quarta-feira. Segundo a Reuters, havia relatos de navios sendo atacados ou abordados pelo Irã, enquanto a Guarda Revolucionária apreendeu duas embarcações e acusou os navios de violarem regras marítimas. Com isso, a navegação continuou sob forte tensão, mesmo com o cessar-fogo ainda formalmente em discussão.
Esse ambiente reduz a chance de normalização rápida. Afinal, a reabertura plena de Ormuz exige mais do que uma declaração política. Ela depende de garantias mínimas de segurança, previsibilidade diplomática e recuo simultâneo de medidas coercitivas. Hoje, nenhum desses elementos parece totalmente consolidado. Essa é uma inferência baseada no quadro descrito pelas agências e nas declarações dos dois lados.






