A Axia Energia registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,76 bilhão no terceiro trimestre de 2026, resultado 19,1% inferior ao apurado no mesmo período do ano anterior. Apesar da queda do lucro ajustado na comparação anual, a companhia apresentou melhora operacional, com avanço das margens nos segmentos de geração e transmissão e crescimento do Ebitda regulatório ajustado.
O Ebitda regulatório ajustado alcançou R$ 6,92 bilhões entre julho e setembro, alta de 8,4% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado pela evolução operacional dos negócios, pela melhora das margens de geração e transmissão, pela redução de despesas e pelo aumento da contribuição das participações societárias.
A receita operacional líquida ficou praticamente estável no período, somando cerca de R$ 10,04 bilhões, com leve alta na comparação anual. O resultado demonstra que a expansão do desempenho operacional ajudou a compensar um ambiente de crescimento limitado das receitas.
O lucro líquido contábil, por sua vez, foi de R$ 1,11 bilhão no terceiro trimestre, revertendo o prejuízo de aproximadamente R$ 5,45 bilhões registrado no mesmo período de 2025. A diferença entre os resultados também reflete efeitos não recorrentes e ajustes considerados nas diferentes métricas utilizadas pela companhia e pelo mercado.
A Axia destacou que a redução das despesas com Pessoal, Materiais, Serviços e Outros, conhecidas pela sigla PMSO, contribuiu para o desempenho do trimestre. A evolução do resultado financeiro também ajudou a sustentar os números da empresa.
No segmento de transmissão, a companhia manteve investimentos voltados à expansão e à modernização da rede. Os recursos destinados a reforços e melhorias alcançaram R$ 1,3 bilhão no terceiro trimestre, crescimento de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Outros R$ 681 milhões foram direcionados a projetos de transmissão conquistados em leilões.
A empresa informou que possui 269 empreendimentos de transmissão em desenvolvimento, com investimentos estimados em R$ 6,7 bilhões entre 2026 e 2030. A expectativa é que os projetos adicionem cerca de R$ 2 bilhões à Receita Anual Permitida (RAP) da companhia ao longo do período.
Os investimentos totais da Axia somaram aproximadamente R$ 2,86 bilhões no terceiro trimestre, alta de cerca de 6% na comparação anual. Nos nove primeiros meses de 2026, os aportes chegaram a R$ 7,3 bilhões, avanço de 28% em relação ao mesmo período de 2025.
No acumulado de janeiro a setembro, o lucro líquido ajustado societário alcançou R$ 7,1 bilhões, crescimento de aproximadamente 98% na comparação anual. O resultado reforça a recuperação observada pela companhia ao longo de 2026, mesmo com a queda do lucro ajustado especificamente no terceiro trimestre.
A empresa também avançou na estruturação de novas fontes de financiamento para sustentar seu plano de investimentos. Entre julho e outubro, a companhia realizou cerca de R$ 14,3 bilhões em captações, incluindo emissões de debêntures, operações com instituições financeiras e outras modalidades de financiamento.
Em setembro, a Axia contratou R$ 1,4 bilhão junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o Parque Eólico Coxilha Negra e outros R$ 500 milhões por meio do Fundo Clima. A companhia também estruturou uma carta-mandato para um financiamento de até R$ 680 milhões destinado ao desenvolvimento do Lote 7 de transmissão, no Rio Grande do Norte.
A dívida líquida ajustada encerrou setembro em aproximadamente R$ 47,57 bilhões, enquanto a relação entre dívida líquida e Ebitda regulatório ajustado ficou em torno de 2 vezes. O indicador é acompanhado pelo mercado para avaliar o nível de alavancagem e a capacidade da empresa de administrar suas obrigações financeiras.
A Axia, antiga Eletrobras, segue concentrando investimentos na ampliação e modernização de seus ativos de geração e transmissão. A companhia é uma das principais empresas do setor elétrico brasileiro e busca ampliar sua eficiência operacional enquanto desenvolve novos projetos para fortalecer sua participação no sistema energético nacional.
O resultado do terceiro trimestre mostra que, embora o lucro ajustado tenha recuado na comparação com uma base forte de 2025, a melhora das margens operacionais e o crescimento do Ebitda ajudaram a sustentar o desempenho da companhia. Para os próximos períodos, os investidores devem acompanhar principalmente a evolução dos investimentos em transmissão, o comportamento das despesas e a capacidade da empresa de transformar a expansão de seus ativos em geração adicional de receita e resultados.
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