As ações da Azul (AZUL53) chegaram a cair até 50% no pregão de ontem, após a companhia comunicar ao mercado a conclusão da oferta de ações e a homologação do aumento de capital. Por volta de 16h, o papel recuava 34,51%, a R$ 167.
O movimento ocorre em um contexto de diluição de acionistas, isso porque, parte do plano envolve conversão de dívidas em ações. Isso amplia a base acionária e redistribui a participação dos investidores.
Na noite de quarta-feira (18), a empresa informou que o conselho de administração aprovou e homologou o aumento de capital dentro do limite autorizado. Dessa forma, houve uma emissão de cerca de 45,5 trilhões de novas ações, ao preço de R$ 0,00011 por ação.
Aumento de capital da Azul: números do pacote que mexeu no preço
Com a operação, o capital social da Azul passou a R$ 21,7 bilhões, dividido em aproximadamente 54,7 trilhões de ações ordinárias, já considerando os efeitos do grupamento.
Na semana anterior, a companhia aprovou em Assembleia Geral Extraordinária o grupamento de ações na proporção de 75 para 1. Além disso, o preço de emissão seguiu os termos do plano e foi definido com desconto de 30% sobre o valor econômico pós-money da companhia, estimado em US$ 1,78 bilhão.
Já o preço por cesta de ações, ajustado pelo grupamento, foi fixado em R$ 189,48, equivalente ao valor por ação multiplicado por 1,7 milhão de papéis.
A oferta foi direcionada principalmente a acionistas com direito de preferência e investidores profissionais. Detentores de ADRs não participaram da oferta prioritária.
Diluição em AZUL53: o que significa para o acionista
Na prática, quando uma empresa emite um volume elevado de ações a um preço baixo, o investidor que não acompanha a oferta tende a ver sua fatia relativa diminuir.
Esse efeito ganha peso quando o mercado também tenta recalibrar o preço do papel ao novo cenário de capital e número de ações em circulação.
É nesse ponto que a queda acentuada costuma aparecer com força: o preço passa a refletir a nova estrutura do capital, além da leitura de risco sobre o processo em andamento.
Chapter 11 da Azul: como a captação entra no plano
A oferta de ações é mais uma etapa do plano de recuperação judicial da aérea nos Estados Unidos (Chapter 11), com objetivo de captação de recursos e capitalização de créditos ligados ao financiamento DIP (Debtor in Possession).
Portanto, para dar sustentação à operação, a Azul informou compromissos de investimento de até US$ 951 milhões (cerca de R$ 5 bilhões na cotação atual). A United Airlines assumiu compromisso de subscrever US$ 100 milhões.






