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Banco Central da Argentina reduz taxa básica de juros (Leliq) de 35% para 32% ao ano

Junio Queiroz por Junio Queiroz
6 de dezembro de 2024
em Exterior
Banco Central da Argentina reduz taxa básica de juros (Leliq) de 35% para 32% ao ano

Fachada do Banco Central da Argentina • 20/11/2023 - REUTERS/Agustin Marcarian

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Enquanto no Brasil os juros enfrentam alta ou permanecem em níveis elevados, a Argentina segue outro caminho: o Banco Central argentino anunciou a redução da taxa básica de juros, a Leliq, de 35% para 32% ao ano. Essa decisão reflete uma melhora no cenário econômico argentino, acompanhada de perspectivas mais otimistas para o futuro. Apesar de parecer algo distante, essa queda dos juros na Argentina tem implicações diretas para o Brasil – e nem todas são positivas.

Por que a Argentina conseguiu reduzir os juros?

Nos últimos meses, a Argentina começou a apresentar sinais de estabilização econômica após um período prolongado de inflação galopante e incertezas políticas. As recentes medidas do governo para conter a inflação, aliadas à entrada de recursos internacionais e a uma gestão mais disciplinada das reservas cambiais, ajudaram a criar um cenário mais favorável para cortes na taxa de juros.

Além disso, a mudança de governo e o plano econômico de ajuste fiscal estão gerando maior confiança nos mercados. A percepção de que a inflação começará a desacelerar nos próximos meses e de que a economia pode sair do longo período de recessão permitiu ao Banco Central tomar a decisão de aliviar a política monetária.

Com taxas de juros mais baixas, o crédito tende a ficar mais acessível, incentivando o consumo e o investimento, o que pode ajudar a Argentina a entrar em um ciclo de crescimento mais robusto.

O contraste com o Brasil

Enquanto isso, no Brasil, as condições são bem diferentes. Apesar da recente redução da Selic, os juros ainda estão entre os mais altos do mundo, reflexo de uma inflação persistente e das incertezas fiscais. O Banco Central brasileiro segue cauteloso, temendo que cortes acelerados nas taxas prejudiquem o controle dos preços, especialmente diante de pressões políticas por aumento de gastos públicos.

O resultado disso é que o Brasil mantém um cenário de crédito caro, o que desestimula investimentos e sufoca parte do consumo. Essa diferença na condução da política monetária entre os dois países cria um contraste importante que merece ser analisado.

Por que a queda dos juros na Argentina é ruim para o Brasil?

À primeira vista, a redução da taxa de juros na Argentina pode parecer uma boa notícia para o país vizinho. No entanto, para o Brasil, isso gera desafios importantes, principalmente no comércio bilateral.

A Argentina é um dos maiores parceiros comerciais do Brasil, especialmente para setores como o automotivo e o de bens de capital. Quando a Argentina reduz seus juros e estimula o consumo interno, há uma chance de que a demanda por produtos brasileiros diminua, uma vez que o país passa a ter mais acesso a crédito interno e a produtos locais.

Além disso, um ambiente econômico mais favorável na Argentina pode atrair investidores que, em outro cenário, poderiam optar pelo Brasil. Se a Argentina conseguir manter a inflação sob controle e continuar oferecendo um ambiente econômico mais estável, pode se tornar uma alternativa mais atraente, especialmente para investimentos voltados à América do Sul.

O que podemos aprender com isso?

A decisão do Banco Central argentino reflete a importância de manter um ambiente macroeconômico estável e políticas fiscais responsáveis. No Brasil, os desafios fiscais, combinados com as incertezas políticas, tornam mais difícil reduzir os juros em um ritmo mais rápido.

Essa diferença de cenários mostra como a gestão econômica é crucial para criar condições favoráveis ao crescimento. Para o Brasil, fica o alerta de que, sem uma solução para os problemas fiscais e um controle mais eficiente da inflação, o país pode perder competitividade, tanto no comércio exterior quanto na atração de investimentos.

Enquanto os juros caem na Argentina, o Brasil precisa focar em medidas que criem as condições necessárias para que sua economia possa aproveitar melhor os ciclos de crescimento global e regional. Afinal, no longo prazo, o sucesso de um país vizinho não precisa ser uma ameaça – mas, para isso, o Brasil precisa estar preparado para competir de igual para igual.

Tags: economiaexterior

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