O Banco do Brasil (BB) afirmou que espera uma melhora nas provisões para perdas da carteira de crédito do agronegócio nos próximos meses, impulsionada pela Medida Provisória 1.376/2026, que criou um programa de renegociação de dívidas para produtores rurais. Apesar da perspectiva mais favorável para a qualidade da carteira, dúvidas do mercado sobre o cumprimento das projeções financeiras da instituição provocaram forte queda nas ações do banco.
Durante teleconferência com analistas, o vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos do BB, Felipe Prince, afirmou que a expectativa é de uma redução relevante nas provisões para devedores duvidosos (PDD) do agronegócio à medida que as renegociações avancem. Segundo a instituição, a medida permitirá reorganizar o fluxo de caixa de milhares de produtores rurais e melhorar gradualmente a qualidade da carteira de crédito.
A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, informou que a carteira potencialmente elegível para a MP pode alcançar até R$ 100 bilhões. Desse total, R$ 36,7 bilhões correspondem a operações já inadimplentes, enquanto o restante inclui contratos prorrogados ou com potencial para renegociação. O foco inicial será justamente os produtores em atraso, segmento que concentra o maior risco para o banco.
Mesmo com essa perspectiva, investidores demonstraram preocupação com a manutenção das projeções (guidance) para 2026. O Banco do Brasil reiterou sua estimativa de lucro líquido ajustado entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, além de um custo de crédito entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões. Como o banco já contabilizou R$ 37,3 bilhões em custo de crédito no primeiro semestre, parte do mercado questiona se as metas poderão ser atingidas sem revisão.
Outro ponto de atenção continua sendo a inadimplência do agronegócio. No segundo trimestre, o índice de atrasos superiores a 90 dias na carteira rural subiu para 6,27%, o maior nível em vários anos. A administração do banco acredita que o endurecimento dos critérios para concessão de novos financiamentos e a implementação da MP deverão contribuir para uma melhora gradual desse indicador ao longo dos próximos trimestres.
A reação do mercado foi negativa. As ações BBAS3 chegaram a cair mais de 4%, atingindo o menor patamar em cerca de um ano. Analistas reconheceram o potencial da medida provisória para reduzir a necessidade de provisões no futuro, mas destacaram que os benefícios deverão aparecer apenas de forma gradual, enquanto persistem dúvidas sobre a rentabilidade do banco e a evolução da carteira de crédito rural.
Especialistas avaliam que a MP representa um importante instrumento para aliviar a pressão sobre o Banco do Brasil, principal financiador do agronegócio no país. No entanto, ressaltam que a recuperação dependerá da efetiva adesão dos produtores ao programa de renegociação, da regulamentação complementar da medida e da melhora das condições financeiras do setor rural. Até que esses fatores se consolidem, o banco deverá continuar convivendo com maior cautela por parte dos investidores e volatilidade em suas ações.






