Em um movimento estratégico para fortalecer a estabilidade financeira e aprofundar as relações bilaterais, os bancos centrais do Brasil e da China firmaram um acordo de swap cambial no valor de até R$ 157 bilhões (aproximadamente US$ 28 bilhões), com validade de cinco anos. A assinatura ocorreu em 13 de maio de 2025, em Pequim, durante a visita oficial do presidente do Banco Central do Brasil (BCB), Gabriel Galípolo, que acompanhou a comitiva presidencial brasileira liderada por Luiz Inácio Lula da Silva.
O que é um swap cambial entre bancos centrais?
O swap cambial é uma ferramenta de política monetária que permite a troca temporária de moedas entre bancos centrais. No caso do acordo Brasil-China, o mecanismo autoriza o BCB e o Banco Popular da China (PBOC) a realizar operações de liquidez em reais e yuans, respectivamente, sem a necessidade de conversão prévia para dólares americanos. Isso facilita transações financeiras bilaterais e oferece uma linha de apoio em momentos de estresse nos mercados.
Segundo comunicado oficial do BCB, o principal objetivo do acordo é “fornecer liquidez para facilitar o funcionamento dos mercados financeiros em caso de necessidade”.
Contexto e relevância do acordo
A assinatura do swap cambial ocorre em um momento de crescente integração econômica entre Brasil e China. A China é atualmente o maior parceiro comercial do Brasil, com destaque para as exportações de commodities agrícolas e minerais. Além disso, a visita presidencial resultou no anúncio de investimentos chineses no Brasil que ultrapassam R$ 27 bilhões, abrangendo setores como energia renovável, automóveis e tecnologia.
O acordo também reflete a tendência global de diversificação das reservas internacionais e redução da dependência do dólar americano. Desde a crise financeira de 2008, os swaps cambiais tornaram-se instrumentos comuns entre bancos centrais para garantir a estabilidade dos mercados financeiros. O PBOC já possui acordos semelhantes com mais de 40 países, incluindo Canadá, Japão e União Europeia.
Implicações para o Brasil
Para o Brasil, o acordo representa uma oportunidade de fortalecer a resiliência do sistema financeiro e ampliar o acesso a liquidez em moeda estrangeira. Além disso, facilita o comércio bilateral ao permitir transações diretas em reais e yuans, reduzindo custos e riscos cambiais para empresas envolvidas em importações e exportações.
O BCB já mantém um acordo semelhante com o Federal Reserve dos Estados Unidos, conhecido como FIMA (Foreign and International Monetary Authorities Repo Facility), que se tornou permanente em 2021. Esse arranjo permite ao Brasil acessar dólares mediante garantias em títulos do Tesouro americano.
Perspectivas futuras
A formalização do swap cambial entre Brasil e China sinaliza um aprofundamento da cooperação financeira entre os dois países e pode abrir caminho para novos acordos semelhantes com outras nações. O BCB já indicou que está em negociações com outros bancos centrais para estabelecer mecanismos de swap, visando diversificar suas fontes de liquidez e fortalecer a estabilidade macroeconômica.
Em um cenário global de incertezas econômicas e tensões geopolíticas, a capacidade de acessar liquidez em diferentes moedas torna-se um diferencial estratégico. O acordo com a China posiciona o Brasil de forma mais favorável para enfrentar eventuais choques externos e reforça sua inserção no sistema financeiro internacional.
Em suma, o acordo de swap cambial entre os bancos centrais do Brasil e da China representa um passo significativo na consolidação de uma parceria estratégica, com benefícios tangíveis para a estabilidade financeira e o fortalecimento das relações econômicas bilaterais.






