A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas de Trump. Porém, o setor cafeeiro brasileiro não abriu o champanhe ainda. O Cecafé e a Abics adotaram cautela e aguardam os desdobramentos práticos da decisão antes de qualquer posicionamento definitivo.
“O cenário é de análise da decisão e de monitorar os próximos passos da Casa Branca”, afirmaram as entidades.
Os números que explicam a preocupação
As tarifas impostas em julho de 2025 causaram um prejuízo de cerca de US$ 250 milhões ao setor cafeeiro no ano passado. Além disso, os embarques de café solúvel para os EUA recuaram cerca de 40% entre agosto e dezembro na comparação com o mesmo período de 2024.
No acumulado anual, a queda foi de 28%. Os norte-americanos importaram 5,381 milhões de sacas em 2025 uma retração de 34% em relação ao ano anterior. Mesmo assim, os EUA mantiveram o segundo lugar entre os principais destinos do café brasileiro.
Por que a mudança não é imediata
A decisão da Suprema Corte não basta sozinha. José Luiz Pimenta Jr., diretor da Fiesp e da BMJ Associados, explica que ainda são necessários ajustes operacionais e jurídicos para que a mudança valha na prática.
“É preciso primeiro a decisão da Corte. A partir dela, tornam-se necessários alguns procedimentos jurídicos e operacionais para que a mudança seja implementada”, afirmou Pimenta. Enquanto isso não acontecer, os importadores seguem recolhendo os tributos normalmente.
A agência alfandegária americana, a CBP, precisa publicar uma norma alinhada à interpretação da Corte. Só então os efeitos chegam ao caixa das empresas. “Não se criou uma nova regra foi uma interpretação judicial sobre normas já existentes”, destacou o especialista.






