A Chevron aposta em novos dados sísmicos para avaliar o potencial de petróleo e gás de blocos localizados na Bacia da Foz do Rio Amazonas, no litoral do Amapá. A SLB e a Shearwater GeoServices estão prestes a iniciar um levantamento sísmico 3D multicliente em águas ultraprofundas da região, considerado estratégico para orientar futuras decisões de investimento.
O levantamento será realizado com o uso de streamers, cabos sísmicos que permitem mapear estruturas geológicas abaixo do fundo do mar. Segundo Kevin McLachlan, vice-presidente de Exploração da Chevron, a companhia espera obter informações relevantes com a aquisição dos novos dados.
“Estamos muito confiantes de que, com a aquisição que estamos fazendo utilizando streamers, obteremos bons resultados”, afirmou McLachlan durante uma mesa no congresso ROG.e. A declaração ocorreu em meio ao avanço das atividades exploratórias na chamada Margem Equatorial brasileira.
A área escolhida para o levantamento fica a aproximadamente 130 quilômetros de um poço perfurado recentemente pela Petrobras, onde a estatal encontrou petróleo que classificou como de “altíssima qualidade”. A proximidade aumenta o interesse das petroleiras em obter uma imagem mais detalhada das estruturas geológicas existentes na região.
Os novos dados deverão contribuir para uma avaliação mais precisa dos prospectos exploratórios e ajudar as empresas a decidir onde concentrar recursos em futuras campanhas de perfuração. Na exploração de petróleo, levantamentos sísmicos são utilizados para identificar estruturas subterrâneas que podem indicar a presença de reservatórios antes da perfuração de um poço.
A Chevron ampliou sua presença na Foz do Amazonas no ano passado, quando arrematou nove blocos no 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão. Seis deles têm a Chevron como operadora, com participação de 65% e a CNPC Brasil com 35%. Outros três são divididos igualmente entre Chevron e CNPC Brasil.
A região também recebeu investimentos de outras grandes companhias. No mesmo leilão, consórcios liderados por Petrobras e ExxonMobil adquiriram blocos na área. Ao todo, Petrobras e ExxonMobil lideraram consórcios que garantiram dez blocos, enquanto o grupo liderado pela Chevron ficou com nove.
A Foz do Amazonas é considerada uma das principais fronteiras exploratórias de petróleo do país, mas também está entre as áreas mais sensíveis do ponto de vista ambiental. Por isso, o avanço da exploração na região envolve discussões sobre licenciamento ambiental, infraestrutura e os impactos de eventuais atividades de produção.
Para a Chevron, os dados sísmicos representam uma etapa anterior a qualquer decisão definitiva de desenvolvimento. A companhia afirma que sua equipe de geólogos e geofísicos utiliza informações sísmicas para identificar prospectos e avaliar oportunidades de investimento.
A aquisição das novas informações ocorre, portanto, em uma fase de avaliação do potencial da área. Caso os dados apontem estruturas promissoras, eles poderão subsidiar futuras decisões sobre a perfuração de poços exploratórios e a continuidade dos investimentos. Por enquanto, o levantamento busca ampliar o conhecimento geológico de uma das regiões mais disputadas da nova fronteira de petróleo brasileira.






