A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao governo federal o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel comercializado no país. A proposta é elevar o percentual atual de 15% para 17% — conhecido como B17 — como forma de reduzir os impactos da alta do petróleo no mercado doméstico de combustíveis.
O pedido foi encaminhado ao Ministério de Minas e Energia (MME) em meio à escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que pressionaram os preços internacionais do petróleo. Segundo a entidade, a elevação do barril tende a refletir diretamente no custo do diesel no Brasil, combustível essencial para o transporte de cargas e para as atividades do agronegócio.
De acordo com a CNA, o avanço da mistura de biodiesel pode funcionar como mecanismo de proteção para a economia nacional. Em carta ao governo, a confederação argumenta que o aumento da participação do biocombustível ampliaria a oferta de combustível no mercado interno, ajudando a conter pressões sobre os custos logísticos e fortalecendo a segurança energética do país.
Atualmente, o diesel vendido no Brasil contém 15% de biodiesel, percentual definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Caso a proposta seja aprovada, o combustível passaria a ter 17% de biodiesel e 83% de diesel fóssil.
A CNA também lembra que o cronograma da política nacional previa a implementação do B16 em março de 2026, etapa que ainda não foi efetivada. Para a entidade, diante do novo cenário internacional marcado pela volatilidade do petróleo, a adoção direta do B17 seria uma medida mais adequada para a realidade atual.
Além de reduzir a dependência de combustíveis importados, o aumento da mistura pode beneficiar a cadeia produtiva do biodiesel, majoritariamente baseada no óleo de soja, cuja produção está em plena safra no país. A confederação avalia que a oferta doméstica do biocombustível tem potencial para contribuir no controle dos preços do diesel e minimizar impactos para consumidores e produtores rurais.






