Os brasileiros movimentaram quase R$ 5 bilhões em stablecoins atreladas ao dólar nos primeiros 12 dias de fevereiro, segundo dados do Índice Biscoint. O volume representa praticamente metade de tudo o que foi negociado em janeiro.
Somente em Tether (USDT) foram R$ 4,3 bilhões no período. Já a Circle (USDC) somou cerca de R$ 500 milhões.
O fluxo ocorre justamente em um momento de enfraquecimento da moeda americana. Nesta semana, o dólar atingiu o menor nível em quase dois anos frente ao real, movimento que também se observa na comparação com outras divisas.
Em geral, a moeda dos EUA tende a se fortalecer em cenários de estresse global. Desta vez, porém, parte das incertezas parte dos próprios Estados Unidos, o que tem direcionado investidores para mercados emergentes, como o Brasil.
Dólar mais barato e antecipação ao IOF
No caso das stablecoins, investidores brasileiros podem estar aproveitando o dólar mais barato para se dolarizar via criptoativos.
O acesso é relativamente simples, basta uma conta em exchange ou banco digital, embora envolva riscos adicionais.
Outro fator pode estar impulsionando o movimento: a possibilidade de aplicação de uma alíquota de 3,5% de IOF sobre operações com stablecoins.
Com a nova regra no radar para este ano, parte dos usuários pode estar antecipando operações para viagens, remessas e transferências internacionais enquanto o custo permanece menor.
Cotações das principais criptomoedas (9h30)
- Bitcoin (BTC): -1,19%, US$ 66.696,44
- Ethereum (ETH): -1,20%, US$ 1.959,99
- XRP (XRP): -2,28%, US$ 1,36
- BNB (BNB): -2,96%, US$ 598,46
- Solana (SOL): -1,48%, US$ 80,01
Outros destaques do mercado cripto
IOF de 3,5% gera incômodo no setor
Parte do mercado cripto reagiu com cautela à possível aplicação de IOF sobre operações com stablecoins. Além da alíquota, há dúvidas sobre a forma de implementação, se via decreto ou mudança legislativa, e sobre quais ativos ou transações seriam atingidos. O tema ainda deve gerar debate nos próximos meses.
Reino Unido avança com bonds tokenizados
Após críticas por lentidão na agenda de tokenização, o Reino Unido decidiu acelerar testes com títulos públicos em blockchain. O piloto será conduzido por HSBC e pelo escritório Ashurst, no sandbox do Banco da Inglaterra. A iniciativa busca reduzir custos e aumentar a eficiência na liquidação das operações, em resposta a mercados como Hong Kong, que já avançaram em emissões soberanas tokenizadas.
Standard Chartered reduz projeções para o bitcoin
O Standard Chartered revisou suas estimativas para 2026 e passou a enxergar maior espaço para correção no curto prazo, projetando o bitcoin em torno de US$ 50 mil antes de uma nova alta. O banco aponta pressão de saídas de ETFs, liquidações e um ambiente macroeconômico ainda desafiador, embora mantenha visão positiva para o ciclo no médio prazo






