O Bitcoin voltou a ser negociado próximo de US$ 78 mil nesta última segunda-feira (2), enquanto investidores acompanham a possibilidade de uma recuperação após as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para terça-feira (3). Além do cenário político norte-americano, outro indicador entrou no radar do mercado: a movimentação de criptomoedas para fora das exchanges, que pode reduzir a quantidade de ativos imediatamente disponível para negociação.
A expectativa de um movimento positivo após as eleições está relacionada ao comportamento histórico da criptomoeda em ciclos anteriores. Um levantamento sobre os três últimos pleitos de meio de mandato, realizados em 2014, 2018 e 2022, aponta que o Bitcoin registrou valorização média de 53,7% nos 12 meses seguintes às votações. Os desempenhos individuais foram diferentes: a moeda avançou 24,1% após a eleição de 2014, 43,4% depois do pleito de 2018 e 92% no período posterior à votação de 2022.
O histórico, entretanto, não indica uma trajetória necessariamente positiva no curto prazo. Nos 90 dias posteriores às eleições de 2014 e 2018, o Bitcoin acumulou quedas de 27,5% e 46,5%, respectivamente. Em 2022, por outro lado, registrou alta de 22,6% no mesmo intervalo. Os dados mostram que o comportamento do ativo variou de acordo com as condições específicas de cada ciclo econômico e do mercado de criptomoedas.
Em 2026, a votação acontece em um ambiente de maior cautela. O Bitcoin enfrentou um mês difícil em outubro e chegou a registrar mínimas de seis semanas no fim do período. Na segunda-feira, a criptomoeda oscilava em torno de US$ 78 mil, após uma recuperação parcial durante o fim de semana.
Um dos fatores acompanhados pelos investidores é a redução da quantidade de Bitcoin mantida em exchanges centralizadas. Quando os ativos são transferidos para carteiras privadas ou soluções de custódia de longo prazo, deixam de estar imediatamente disponíveis nos livros de ofertas das plataformas. Esse movimento pode indicar uma estratégia de manutenção dos ativos por períodos mais longos e reduzir a oferta disponível para vendas no mercado.
A saída de criptomoedas das exchanges, porém, não representa necessariamente uma intenção de compra ou acumulação. Transferências também podem ocorrer por motivos de segurança, reorganização de carteiras, mudanças de custódia ou movimentações entre plataformas. Por isso, analistas costumam observar esse indicador em conjunto com volume negociado, fluxos de ETFs, comportamento dos investidores institucionais e evolução dos preços.
O mercado também enfrenta os efeitos do ataque hacker de aproximadamente US$ 6,3 bilhões que atingiu a Binance no fim de outubro. A corretora iniciou a retomada gradual dos saques no domingo (1º), e os clientes retiraram cerca de US$ 3,64 bilhões líquidos nas primeiras horas após a reabertura dos serviços, segundo dados divulgados pela empresa.
A Binance afirmou que os níveis de retirada começaram a se estabilizar e que já havia coberto aproximadamente 95% dos ativos roubados. O episódio, no entanto, aumentou a atenção dos investidores em relação à segurança das plataformas centralizadas e estimulou movimentações de recursos para carteiras próprias.
A pressão sobre o mercado também apareceu nos fundos negociados em bolsa. Os ETFs de Bitcoin à vista listados nos Estados Unidos registraram saídas líquidas de US$ 643,3 milhões na sexta-feira (30), segundo dados da SoSoValue. Foi o maior resgate diário desde junho e um sinal de redução da demanda institucional naquele pregão.
Os fundos da BlackRock e da Fidelity concentraram parte expressiva das retiradas. O movimento eliminou aproximadamente 63,6% do saldo positivo de entradas líquidas acumulado pelos ETFs ao longo de 2026 até então. A saída de recursos ocorreu no primeiro pregão após o ataque à Binance, em um momento de maior aversão ao risco no mercado de criptomoedas.
Além das eleições, os investidores acompanham a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, prevista para sexta-feira (6). Os dados do mercado de trabalho podem influenciar as expectativas sobre as próximas decisões do Federal Reserve (Fed), especialmente em relação à trajetória dos juros. Alterações nas perspectivas de política monetária costumam afetar ativos de risco, incluindo o Bitcoin.
Outro ponto de atenção envolve possíveis mudanças nos critérios de composição de índices acionários da MSCI, que podem afetar empresas com grandes reservas de Bitcoin, como Strategy e Metaplanet. Uma eventual exclusão dessas companhias de determinados índices poderia provocar ajustes em fundos passivos e influenciar indiretamente sua capacidade de ampliar posições na criptomoeda.
Com isso, o mercado acompanha diferentes indicadores que apontam para direções distintas. A redução da oferta de Bitcoin disponível em exchanges pode limitar a pressão vendedora caso a demanda aumente, mas os resgates dos ETFs e as incertezas provocadas pelo ataque à Binance mostram que o interesse dos investidores ainda enfrenta desafios.
A possibilidade de um rali após as eleições permanece no radar dos operadores, mas o histórico não garante repetição dos resultados anteriores. A trajetória do Bitcoin dependerá também das condições macroeconômicas, dos fluxos institucionais, da liquidez e da disposição dos investidores em assumir riscos nos próximos meses.






