Nos seis primeiros meses de 2025, os Correios registraram um prejuízo acumulado de R$ 4,37 bilhões — valor que representa mais que o triplo do resultado negativo verificado no mesmo período de 2024. Apenas no segundo trimestre, o rombo foi de R$ 2,64 bilhões, quase cinco vezes superior ao prejuízo de R$ 553 milhões registrado no período equivalente do ano passado. Esse agravamento evidencia o aprofundamento da crise financeira enfrentada pela estatal.
A queda nas receitas foi acentuada, com a receita bruta de vendas e serviços recuando aproximadamente 11% no semestre, totalizando pouco mais de R$ 8,5 bilhões. O segmento de encomendas internacionais — bastante impactado pela nova tributação sobre importações de baixo valor, popularmente conhecida como “taxa das blusinhas” — teve uma queda de arrecadação na ordem de 60%, somando apenas R$ 815 milhões no período.
Concomitantemente, as despesas dispararam. Os custos administrativos saltaram de R$ 1,2 bilhões para R$ 3,4 bilhões, enquanto os gastos financeiros passaram de cerca de R$ 3 milhões para R$ 673 milhões. E com isso, os resultados negativos se tornaram ainda mais expressivos. Além disso, o pagamento de precatórios cresceu de forma exponencial, atingindo R$ 1,2 bilhões só no segundo trimestre — um aumento de mais de 800% em relação ao ano anterior.
Em busca de conter os estragos, a direção dos Correios deu início a um plano de contenção de gastos que inclui o Plano de Demissão Voluntária (PDV), com adesão de cerca de 3.500 funcionários e expectativa de economia de R$ 1 bilhão em 2026, além de corte de jornada e reestruturações administrativas com fechamento de agências. Também lançaram um marketplace próprio e obtiveram uma linha de crédito de quase R$ 4 bilhões junto ao Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics, voltada à modernização logística.
As dificuldades são agravadas pela perda do monopólio postal, que antes garantia receitas estáveis, e pela necessidade de manter serviços de entrega em localidades de baixa atratividade econômica — obrigações que oneram o caixa sem gerar retornos equivalentes.
O contexto político também adiciona instabilidade: em julho, o presidente da estatal, Fabiano Silva dos Santos, entregou sua carta de demissão, mas permanece no cargo até que o governo encontre um sucessor — um impasse que expõe fragilidades na governança. Ao mesmo tempo, o governo federal já foi alertado sobre a necessidade de aporte de recursos para evitar o colapso operacional da empresa — mas a equipe econômica sinaliza que não há espaço no orçamento para socorro imediato.
Historicamente, os Correios já enfrentaram desafios financeiros, mas os resultados recentes marcam o pior momento da empresa. De janeiro de 2023 a julho de 2025, o prejuízo acumulado soma cerca de R$ 7,5 bilhões, consolidando o período como o mais crítico da história da estatal.
A seguir, as principais causas e consequências desse cenário:
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Queda nas receitas: impacto direto da taxa sobre importações de baixo valor — que esvaziou postagens internacionais —, aliado à crescente concorrência no setor de entregas.
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Disparada de despesas: custos administrativos, financeiros e precatórios cresceram de forma abrupta, pressionando ainda mais as finanças.
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Ações de contenção: PDV, marketplace, crédito emergencial e redução de gastos são tentativas de reequilibrar o orçamento.
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Governança instável: saída em aberto do presidente da estatal gera incerteza política; e o governo já admite que pode ser necessário um socorro financeiro.
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Crise histórica: os números acumulados refletem o pior quadro financeiro dos Correios nos últimos anos.






