A União Europeia anunciou nesta última segunda-feira planos para investir € 200 milhões na Groenlândia, em uma tentativa de ampliar os laços com o território autônomo dinamarquês em meio à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que a ilha passe ao controle americano.
O anúncio foi feito pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante uma visita de dois dias à Groenlândia. A dirigente também reforçou o apoio da União Europeia à Dinamarca e aos groenlandeses, que rejeitam a tentativa de Trump de adquirir o território.
Segundo von der Leyen, os recursos devem financiar projetos ligados a minerais essenciais, comunicações via satélite e energia renovável. Além disso, a União Europeia pretende ampliar a cooperação com a Groenlândia em setores considerados estratégicos para o Ártico.
“A UE está em total solidariedade com o Reino da Dinamarca e o povo da Groenlândia”, afirmou von der Leyen.
Groenlândia ganha importância geopolítica
A visita ocorre enquanto o Ártico aumenta sua importância estratégica para Estados Unidos, Rússia, China e União Europeia.
Com o derretimento do gelo, novas rotas marítimas ficam mais acessíveis. Ao mesmo tempo, a redução da cobertura de gelo facilita o acesso a reservas minerais da região.
Nesse cenário, a Groenlândia ocupa uma posição estratégica. A ilha pertence ao Reino da Dinamarca, mas possui autonomia política e deixou a União Europeia em 1985.
Ainda assim, os habitantes da Groenlândia mantêm cidadania dinamarquesa e, consequentemente, cidadania da União Europeia.
Trump pressiona por controle da Groenlândia
A tentativa de Trump de ampliar o controle dos Estados Unidos sobre a Groenlândia provocou uma crise nas relações entre Washington e países europeus.
O presidente americano argumenta que a Dinamarca não teria condições de garantir a segurança da ilha. No entanto, autoridades europeias afirmam que a Groenlândia já integra a área de proteção da Otan e que os Estados Unidos podem ampliar sua presença militar no território por meio de acordos existentes.
As tensões diminuíram após Trump e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, concordarem em janeiro que Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia iniciariam negociações sobre a questão.
No entanto, as conversas ainda não produziram um acordo. Em julho, durante uma cúpula da Otan na Turquia, Trump voltou a defender que os Estados Unidos deveriam controlar a Groenlândia.
UE planeja ampliar financiamento
Durante a visita, von der Leyen afirmou que o futuro da Groenlândia deve ser decidido pelo próprio povo do território e pela Dinamarca.
“O Ártico se tornou um dos locais onde as placas tectônicas da geopolítica colidem. Temos um interesse direto no que acontece aqui”, declarou.
Além disso, a presidente da Comissão Europeia anunciou que o bloco apresentará uma nova estratégia para o Ártico nos próximos meses.
A União Europeia já financia projetos na Groenlândia, principalmente relacionados à pesca e à educação. Agora, porém, o pacote de € 200 milhões amplia tanto o volume de recursos quanto os setores contemplados.
Por fim, a Comissão Europeia propôs mais que dobrar o financiamento destinado à Groenlândia. O orçamento sairia de € 225 milhões no período atual de sete anos para € 530 milhões entre 2028 e 2034.
A medida reforça a intenção da União Europeia de aumentar sua presença econômica e estratégica na região em um momento de disputa crescente pelo Ártico.






