A bolsa de valores de Nova York (Nyse) abriu uma consulta aos participantes do mercado de ações sobre a possibilidade de permitir negociações 24 horas por dia. A enquete ocorre enquanto os reguladores examinam minuciosamente um pedido para a constituição da primeira bolsa com transações 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Segundo informações do Financial Times, a consulta da Nyse faz parte da Intercontinental Exchange, e foi divulgada pela equipe de análise de dados e não pela administração, mas destaca o crescente interesse em negociar ações de empresas como Nvidia ou Apple durante a noite, entre 20h e 4h, no horário do leste dos EUA.
A questão se tornou um tema urgente nos últimos anos, motivado em parte pela operação 24 horas por dia, 7 dias por semana, das negociações de criptomoedas e pelo aumento da atividade dos investidores de varejo, inicialmente estimulado pelos “lockdowns” da pandemia de coronavírus.
As bolsas de valores tornaram-se um tanto atrasadas num mundo em que outros grandes mercados — incluindo os de títulos do Tesouro dos EUA, das principais moedas e de futuros de índices de ações — podem ser negociados 24 horas por dia, de segunda a sexta-feira.
A reportagem do Financial Times nota que várias corretoras de varejo, entre elas Robinhood e Interactive Brokers, agora oferecem acesso 24 horas por dia, durante a semana, às ações dos EUA, com negociações combinadas com suas participações internas ou conduzidas por meio de um local de negociação conhecido como “dark pool”, como o Blue Ocean, em que as ações são frequentemente negociadas por investidores de varejo asiáticos durante o dia.
Aqui no Brasil, a extensão do horário de negociações para além do que já conhecemos hoje também está no radar, como o Valor Investe já adiantou em setembro de 2023.
Em janeiro desse ano, o presidente da bolsa brasileira, Gilson Finkelsztain, pontuou em entrevista coletiva que a B3 planeja, para até o fim deste ano, o aumento do horário do pregão para negociações de derivativos do Ibovespa. A ideia é que o pregão estendido comece entre 18h e 19h e acabe até as 22h.
Essa ampliação, segundo ele, vai servir como um teste para o possível aumento do pregão para outros instrumentos, como ações.
A B3 discutiu com o mercado e com o regulador a possibilidade de ampliar também o horário para negociação de futuro de câmbio, mas a proposta não foi bem recebida. “Para poder se adequar a operar fora depois do mercado há um custo e um contrato como câmbio é muito relevante para alguns participantes que talvez tivessem uma dificuldade para operar nesse horário”, afirmou Finkelsztain.
Para 2025, está na agenda da B3 uma discussão sobre a possibilidade da criação de um pré-mercado para alguns instrumentos.
“A B3 não tem nenhum gap tecnológico relevante e temos um leque muito forte de lançamentos de produtos para os próximos 12 meses, todos alinhados com as necessidades do mercado. Não há o que o mercado esteja precisando e que não estejamos pensando ou já até criamos”, disse Finkelsztain em recente entrevista ao Valor Investe.
O interesse das bolsas em funcionar durante toda a madrugada, no entanto, seria uma mudança radical na forma como a negociação tardia é percebida devido à sua forte supervisão regulatória em comparação com os dark pools. No caso americano, as bolsas são supervisionadas diretamente pela Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão de valores mobiliários americana), e analisadas quanto à sua estabilidade e segurança, além de necessitarem de aprovação para proceder com qualquer alteração de regras.
As negociações nas bolsas também fazem parte dos registros oficiais dos preços de negociação, o que significa que a atividade noturna teria maior probabilidade de definir o tom inicial para as negociações em horário normal.
A ver o que vem por aí.
Fonte: Valor Investe






