Segundo dados da Anbima, os fundos cambiais registraram saída de recursos ao longo de agosto de 2025, com os saques superando os aportes e levando a classe ao campo negativo no ano.
Na última quarta-feira, 20 de agosto, os investidores retiraram R$ 20,6 milhões desses fundos, e o saldo mensal acumula R$ 88,9 milhões em resgates líquidos.
Uma das principais razões para esse desempenho negativo é a queda de cerca de 11% do dólar frente ao real durante 2024, fator que impacta diretamente os fundos atrelados à moeda americana. Como explica Mauro Orefice, portfólio manager da B.Side Investimentos:
“Não tem muito segredo, como os fundos são atrelados à variação da moeda, não tem para onde fugir. O câmbio caiu esse ano, e por isso os fundos estão no campo negativo.”
Apesar desse cenário, no acumulado dos últimos 12 meses, houve captação positiva de R$ 101,3 milhõe. Luciano Rais, líder da área de Renda Fixa Mercados da Santander Asset Management, observa que isso pode representar uma janela mais favorável para novos investidores entrarem nessa classe, desde que não esperem nova desvalorização expressiva do real no curto prazo.
Conforme Rais, o movimento atual não reflete apenas o fortalecimento do real, pois globalmente o dólar tende a se manter mais fraco:
“Passamos por duas décadas de fortalecimento do dólar. Então, tem muito espaço para o seu enfraquecimento.”
Além disso, ele recomenda que o investidor interessado em médio e longo prazo analise a parcela da carteira atrelada ao câmbio antes de decidir por novas alocações.
Diversificação como estratégia recomendada
A meta de exposição ideal, conforme o Índice Nomad de Diversificação Internacional (INDI), é de 60% em ativos globais, oferecendo um parâmetro para quem planeja balancear a carteira em meio à volatilidade dos mercados.
Daniel Miari, CMO e sócio fundador da INCO Investimentos, destaca:
Investidores têm percebido a importância de não ficarem expostos exclusivamente ao real. A forte alta do dólar no fim de 2024 gerou alertas sobre os riscos de concentração cambial. Instabilidade econômica brasileira aumenta a necessidade de diversificação com moedas fortes, especialmente o dólar.






