“O Brasil não é para principiantes”: a frase cunhada décadas atrás pelo poeta Tom Jobim foi alterada eficazmente para “o Brasil não é para amadores”, porque aparentemente o nosso país não é nem para um, nem para outro. É preciso ter raiz para entender o que acontece por aqui e as notícias de hoje mostram isso: o Ibovespa ficou mais uma vez próximo da estabilidade, com baixa curta de 0,12%, aos 134.510,85 pontos, uma perda quase-nada de 155,61 pontos, porque o noticiário teve de tudo.
A combinação entre um cenário internacional cauteloso e um ambiente nebuloso no Brasil deixou o índice na corda bamba. Então, senta, porque lá vem história.
Antes, o dólar. O dólar comercial, assim como o Ibovespa, oscilou o dia todo, com preferência pelo campo positivo, onde de fato terminou: mais 0,09%, a R$ 5,478. Os DIs (juros futuros) igualmente trocaram de sinal durante o dia, antes de terminar com altas por toda a curva.
Áudios de Bolsonaro e pesquisa
Como aquelas retrospectivas de final de ano, será preciso colocar as notícias aqui um tanto quanto de bate-pronto, porque foi um dia em que aconteceu tudo o que se pode imaginar. A bem da verdade, o dia começou ontem à noite, quando a Polícia Federal divulgou as provas para indiciar tanto Jair Bolsonaro quanto seu filho Eduardo, atuando nos EUA para que o governo Trump imponha sanções ao Brasil, por tentativa de interferir em ação da trama golpista.
Enquanto isso, foi divulgada pesquisa que mostra que o presidente Lula ganhou musculatura e lidera em todos os cenários em um eventual segundo turno em 2026.
Governo melhora arrecadação
Já no radar econômico, a arrecadação federal cresceu 4,57% em julho, a R$ 254,2 bilhões, recorde para o mês, com alta expressiva na arrecadação do IOF, justamente aquele imposto que deu tanta confusão no primeiro semestre.
Há mais: o consumo nos lares brasileiros cresceu 4% em julho ante um ano antes, segundo revelou Abras, com melhora na renda, menor desemprego e pagamentos de benefícios sustentando o aumento das compras. Por outro lado, famílias de baixa e alta renda mostraram recuo na intenção de consumo em agosto, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Há ainda as notícias da Câmara dos Deputados: a Casa aprovou urgência do projeto que amplia isenção do IR para até R$ 5 mil. Governistas defendem a votação do texto já na próxima semana, mas ainda não foi batido o martelo sobre o tema.
Powell em Jackson Hole
E temos o exterior. Por lá, a confusão de sempre vinda do governo Trump até ficou em segundo plano hoje, já que o Federal Reserve assumiu o protagonismo, com o simpósio anual em Jackson Hole começando e tendo como principal estrela o presidente da instituição, Jerome Powell, falando nesta sexta-feira (22), evento que é o que tem segurado os negócios em Wall Street. O potencial para mexer nos mercado é total.
Powell sinalizou que uma recalibragem está chegando, possivelmente enfatizando a inflação estável como base para os melhores resultados do mercado de trabalho.
Mas os próprios integrantes do Fed estão divididos entre quem vê apenas um corte este ano e quem acha que ainda não é hora de se movimentar. Vale lembrar que os pedidos semanais de seguro-desemprego hoje deram um salto, o maior em três meses.
No meio disso tudo, prevaleceu a cautela vista desde o início da semana e os índices em Wall Street recuaram, em meio a um volume de negócios mais baixo. Na Europa, prudência também, mesmo com EUA e União Europeia firmando acordo tarifário. Sem falar da guerra, onde a Rússia parece o mais tranquilo de todos os atores.
Vale e Petrobras sobem
Ufa! E como ficam os negócios em São Paulo com toda essa confusão? O Ibovespa tem andando de lado. Talvez o gatilho do discurso de Powell amanhã possa destravar tudo, mas por hoje o que se viu foi a Vale (VALE3) subindo confortáveis 0,85%, com impulso do minério de ferro na China; e Petrobras (PETR4) ganhando 0,23%, com alta do petróleo internacional e investidores de olho nas mudanças no Conselho.
O problema em São Paulo segue sendo o setor bancário, o mais atingido em tese pela Lei Magnitsky. O protagonismo continua com Banco do Brasil (BBAS3), que nesta quinta-feira caiu 0,86%. A notícia foi de que o BB havia bloqueado cartão do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Mas os olhos estão mesmo nos fundamentos e a presidente do banco, Tarciana Medeiros, disse ser “muita falta de responsabilidade” colocar em xeque a solidez da instituição.
Os demais bancos oscilaram: Bradesco (BBDC4) desceu 0,32%, Itaú Unibanco (ITUB4) quase não se mexeu e ganhou 0,11%, enquanto o Santander (SANB11) subiu 0,08%.
Os varejistas ficaram mistos também. Magazine Luiza (MGLU3) ficou no zero a zero, enquanto Lojas Renner (LREN3) desceu amplos 1,72%.
Hapvida (HAPV3), mesmo com projeções elevadas por analistas, acabou com baixa de 1,84%.






