Após a China continuar apresentando indicadores econômicos menores do que o esperado, o país decidiu cortar a taxa de empréstimos de um ano, o que o mercado pode entender como um sinal para a queda dos juros de empréstimo. Além do país asiático, hoje os investidores também acompanham dados do varejo dos Estados Unidos, que podem trazer pistas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Por aqui, o mercado acompanha os dados de emprego trazidos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), e palestras de Gabriel Galípolo, novo diretor do Banco Central.
Nesta madrugada, os dados de consumo e da produção industrial da China desapontaram. As vendas no varejo subiram 2,5% em relação ao ano anterior em julho. A alta, no entanto, foi menor do que a vista um mês antes, quando o aumento foi de ante um aumento de 3,1%. O resultado ficou aquém do crescimento de 4,4% esperado por economistas. A produção industrial, por sua vez, subiu 3,7% em julho em relação ao ano anterior, número menor do que a alta de 4,4% em junho e do crescimento de 4,6% previsto pelo mercado.
Com isso, a China cortou a taxa de empréstimos de um ano para 2,5%. A redução foi a segunda em três meses e traz pistas para os investidores sobre um possível espaço para a queda dos juros de empréstimo na próxima semana. O assunto deve repercutir ao longo do pregão e pode impactar especialmente as commodities.
Ainda lá fora, hoje o mercado fica atento ao dado de vendas no varejo dos Estados Unidos no mês de julho. O indicador, divulgado pelo Departamento do Comércio dos EUA às 9h30, deve trazer um aumento de% na comparação mensal e de % na comparação anual.
O assunto fica no radar porque traz pistas sobre a força da economia norte-americana e, consequentemente, as possíveis pressões inflacionárias que uma atividade resistente pode trazer.
Por aqui, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentará, às 9h, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do segundo trimestre de 2023. No primeiro trimestre, a taxa de desocupação do país foi de 8,8%, o que representa um aumentando 0,9 ponto percentual ante o quarto trimestre de 2022 e uma queda de 2,4 ponto percentual frente ao mesmo trimestre de 2022.
Por fim, o mercado também fica de olho nas falas de Gabriel Galípolo, diretor de Política Monetária, que será palestrante de evento do Conselho Federal de Economia, por videoconferência, às 10h30. Além disso, entre 12h30 e 14h, Galípolo participará de um evento do Brazil Journal como palestrante. Essas serão as duas primeiras palestras dele desde que foi nomeado como diretor do Banco Central e, por isso, devem atrair as atenções.
Empresas
- A Embraer, terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, entregou resultados acima do esperado no segundo trimestre e indicou que deve manter o desempenho acelerado nos próximos trimestres, com expansão da produção de jatos da ordem de 20% neste ano e em 2024. Na aviação executiva, a carteira de pedidos supera US$ 4 bilhões, a maior da história. Na aviação comercial e na Defesa, disse o presidente Francisco Gomes Neto, há várias campanhas de venda em curso e a expectativa é anunciar novas encomendas até o fim do ano. Uma ordem de US$ 700 milhões será reconhecida no “backlog” do terceiro trimestre.
- O investimento na Vale trouxe prejuízo, ainda que contábil, de pouco mais de R$ 1 bilhão para a Cosan no segundo trimestre. Com a marcação a mercado de cerca de um terço de sua participação na mineradora, ou 70 milhões de ações, a holding teve de reconhecer uma perda de R$ 1,2 bilhão com a desvalorização de 20% dos papéis nos últimos três meses, e encerrou o intervalo com prejuízo líquido R$ 1,4 bilhão.
- A Raízen, dona da rede de postos Shell, sentiu o impacto negativo da queda dos preços do etanol e da sobreoferta de diesel no mercado brasileiro no primeiro trimestre do ano safra 2023/24. De abril a junho, a companhia teve resultado operacional mais fraco desde a linha da receita, mas com lucro líquido ajustado de R$ 527 milhões, queda de 52% na comparação anual, ajudada pelo reconhecimento de créditos fiscais de R$ 1,1 bilhão. O benefício fiscal nessa magnitude, indicou o comando da companhia, deve ser recorrente nos próximos trimestres.






