O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) abriu uma investigação sobre o acordo de licenciamento firmado entre a Nvidia e a startup de chips de inteligência artificial Groq, segundo reportagem do New York Times. As autoridades apuram se a operação foi estruturada de forma a evitar uma análise antitruste mais rigorosa por parte dos reguladores americanos.
O acordo, anunciado em dezembro de 2025, foi avaliado em cerca de US$ 17 bilhões, de acordo com a reportagem. A operação envolve uma licença não exclusiva para a tecnologia de chips de inferência da Groq e também a contratação de executivos da startup pela Nvidia, incluindo o fundador Jonathan Ross.
A investigação teria começado pouco depois do anúncio da transação. Segundo as informações divulgadas, o Departamento de Justiça já enviou à Nvidia uma solicitação formal de informações sobre o negócio, buscando entender a estrutura da operação e avaliar se ela poderia representar uma tentativa de contornar as regras de concorrência dos Estados Unidos.
O caso ocorre em um momento de crescente escrutínio sobre a expansão da Nvidia no mercado de inteligência artificial. A companhia domina o segmento de chips utilizados para treinar e executar sistemas de IA e vem ampliando sua atuação por meio de investimentos, aquisições, acordos de tecnologia e parcerias com empresas do setor.
A preocupação dos reguladores está relacionada justamente ao impacto dessas operações sobre a concorrência. Ao incorporar tecnologias e profissionais de startups que desenvolvem alternativas aos chips da Nvidia, a companhia pode aumentar ainda mais sua influência sobre uma cadeia considerada estratégica para o desenvolvimento da inteligência artificial. O acordo com a Groq, nesse contexto, passou a receber atenção adicional das autoridades americanas.
Apesar da investigação, a avaliação preliminar citada pela reportagem indica que uma eventual conclusão de irregularidades não necessariamente levaria ao desfazimento do acordo. O Departamento de Justiça poderia aplicar uma penalidade financeira caso identificasse problemas na forma como a operação foi conduzida, embora ainda não exista uma decisão sobre o caso.
Nvidia, Groq e o Departamento de Justiça não haviam apresentado comentários públicos sobre a investigação até a publicação das informações. O processo acrescenta mais uma frente de pressão regulatória sobre a Nvidia, justamente quando a empresa busca ampliar seu domínio em diferentes áreas do ecossistema de inteligência artificial.
O episódio também reforça a atenção das autoridades americanas sobre a concentração de poder no mercado de IA. Com investimentos cada vez maiores em chips, software e infraestrutura, a Nvidia passou a ocupar uma posição central na indústria, tornando seus movimentos estratégicos alvo crescente de órgãos de defesa da concorrência.






