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O mercado prevê uma inflação de 5% em 2025 e prevê que o dólar alcance R$ 6 no final deste ano

Carla Santiago por Carla Santiago
3 de fevereiro de 2025
em Exterior
O mercado prevê uma inflação de 5% em 2025 e prevê que o dólar alcance R$ 6 no final deste ano

Fonute: RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL

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A mediana do relatório Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 subiu pela 13ª semana consecutiva, de 4,99% para 5,0% — 0,5 ponto porcentual acima do teto da meta, de 4,50%. Um mês antes, era de 4,60%. Considerando apenas as 51 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária passou de 4,99% para 5,14%.

Na última sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA de 2024 foi de 4,83%, acima do teto da meta, de 4,50%. Foi a oitava vez que o Banco Central descumpriu o alvo desde o início do regime de metas, em 1999.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou em uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que o forte crescimento da economia, a depreciação cambial e os fatores climáticos explicam o descumprimento da meta no ano passado. As projeções da autarquia indicam uma lenta queda da inflação, que deve permanecer acima do teto até o terceiro trimestre.

A partir de 2025, a meta começa a ser apurada de forma contínua, com base na inflação acumulada em 12 meses. O centro continua em 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se o IPCA ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central perdeu o alvo. O ministro da Fazenda pode propor uma alteração da meta ao Conselho Monetário Nacional (CMN), mas é necessário esperar 36 meses para qualquer mudança ter efeito.

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 subiu de 4,03% para 4,05%, a terceira alta seguida. Um mês atrás, estava em 4,0%. Considerando apenas as 50 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a projeção ficou estável em 4,0%.

A estimativa intermediária para a inflação de 2027 permaneceu em 3,90%, contra 3,66% quatro semanas atrás. A projeção para o IPCA de 2028 passou de 3,50% para 3,56%, ante 3,50% um mês antes.

O Comitê de Política Monetária (Copom) considera o segundo trimestre de 2026 como horizonte relevante da política monetária. O colegiado espera um IPCA de 4,0% nos quatro trimestres fechados nesse período, no cenário com a taxa Selic do Focus (de 6 de dezembro) e dólar começando em R$ 5,95 e evoluindo conforme a paridade do poder de compra (PPC).

Também no cenário de referência, o Banco Central espera que o IPCA termine 2025 em 4,50% e desacelere a 3,60% em 2026.

Inflação no primeiro trimestre

As medianas indicam que o IPCA deve somar 1,78% no primeiro trimestre de 2025. Se confirmada, seria a maior taxa trimestral desde o mesmo período de 2023, quando a inflação acumulada de janeiro a março foi de 2,09%.

A estimativa intermediária do Focus para o IPCA de janeiro continuou em zero, refletindo o impacto do bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica. A projeção para fevereiro passou de 1,33% para 1,34%. O efeito do bônus já deve ser “devolvido” no mês. A mediana para o IPCA de março subiu de 0,42% para 0,43%.

Já a mediana para a inflação suavizada dos próximos 12 meses subiu de 4,96% para 5,01%. Um mês antes, era de 4,68%. Essa medida ganhou importância nas análises do mercado após a regulamentação da meta de inflação contínua, válida a partir deste ano.

O mercado também passou a esperar que a inflação acumulada em 12 meses até o segundo trimestre de 2026, horizonte relevante da política monetária, atinja 4,45%. Agora, a projeção está apenas 0,05 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. Uma semana antes, era de 4,39%.

Os números foram calculados pelo Estadão/Broadcast com base nas medianas trimestrais de IPCA do Sistema Expectativas de Mercado, que embasa o relatório Focus.

A alta das projeções do mercado ocorreu mesmo diante da expectativa de uma Selic média mais alta. As medianas do sistema indicam que os juros vão subir a 14,25% até março, em linha com o forward guidance do BC. Depois, o mercado espera altas de 0,50 ponto porcentual em maio e 0,25 ponto em junho, que levariam a taxa a 15% no fim do ciclo.

As projeções do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) consideram uma trajetória sensivelmente menor, na qual a Selic terminaria 2024 em 12,0%, contra os 12,25% efetivos, e estaria em 13,50% no fim deste ano.

Alguns analistas do mercado consideram que o comportamento das expectativas de inflação será o fiel da balança para a credibilidade do BC na gestão de Gabriel Galípolo, que assumiu o comando da autarquia em 1º de janeiro.

Taxa de juros

A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2025 ficou estável em 15,0%. Um mês atrás, estava em 14,0%. Na sua última reunião, de dezembro, o Copom aumentou a taxa básica para 12,25% ao ano e sinalizou mais duas elevações de 1 ponto porcentual cada, que levariam os juros a 14,25% em março.

Considerando apenas as 41 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária para a taxa básica de juros no fim de 2025 continuou em 15,0%.

A mediana para os juros no fim de 2026 se manteve em 12,0%. Um mês atrás, era de 11,0%. A projeção para o fim de 2027 aumentou de 10,0% para 10,25%, enquanto a estimativa para 2028 se manteve estável, em 10,0%.

O RTI do Banco Central reforçou o cenário de deterioração da inflação e firmou a percepção do mercado de que será preciso uma taxa de juros rodando acima de 13,75% — estimativa adotada como pico do juro básico no cenário de referência do RTI — para a convergência da inflação à meta de 3%.

Dólar

A mediana para a cotação do dólar no fim de 2025 se estabilizou em R$ 6,0. Um mês antes, era de R$ 5,85. A projeção para 2026 subiu de R$ 5,90 para R$ 6,0 e, para 2027, de R$ 5,80 para R$ 5,82. Para 2028, avançou de R$ 5,80 para R$ 5,88.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não mais no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020. Com isso, o BC espera trazer maior precisão para as projeções cambiais do mercado financeiro.

PIB

A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025 ficou estável em 2,02%. Um mês antes, era de 2,01%. Considerando apenas as 31 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, permaneceu em 2,06%.

A estimativa intermediária para 2026 continuou indicando crescimento de 1,80%. Um mês antes, era de 2,0%. Considerando apenas as 30 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 2,0% para 1,85%.

A mediana para o crescimento do PIB de 2027 se manteve em 2,0%, como já está há 77 semanas. A estimativa intermediária para 2028 continuou indicando alta de 2,0% para a atividade econômica, estável há 44 semanas.

O Banco Central espera que a economia brasileira tenha crescido 3,50% em 2024 e cresça 2,10% este ano, conforme o RTI.

Tags: dinheiroexterior

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