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Os super-ricos adquirem títulos isentos e ações, enquanto o “povão” opta pelos CDBs, considerados a nova poupança. Confira como os brasileiros investiram em 2025

Sara Rosa por Sara Rosa
25 de fevereiro de 2026
em Meu Dinheiro
Os super-ricos adquirem títulos isentos e ações, enquanto o “povão” opta pelos CDBs, considerados a nova poupança. Confira como os brasileiros investiram em 2025

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Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) caíram no gosto do “povão” e se tornaram a “nova caderneta de poupança”. Ao final de 2025, R$ 1,33 trilhão do volume financeiro de investimentos do país estava alocado em CDBs, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Os títulos bancários não têm o maior estoque entre os produtos financeiros — posto da previdência privada, com R$ 1,55 trilhão —, mas registraram o maior crescimento nominal, aumentando o estoque em R$ 288 bilhões em um ano.

O crescimento dos títulos bancários em relação a 2024 foi de 27,7%, enquanto a poupança registrou retração no mesmo período, de 1,1%, somando R$ 961,4 bilhões em estoque.

Mas a disseminação dos CDBs se prova mesmo em outro recorte dos dados da Anbima: os investimentos por região do país.

Seja no Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste ou Sul, os CDBs aparecem como investimento financeiro número um em todos eles. Os dados da Anbima mostram que esses títulos são figurinha carimbada na carteira de dois segmentos de investidores: o varejo tradicional e o varejo de alta renda.

A maior parte dos CDBs está na carteira do “povão” (varejo tradicional), que concentram 47,6% do estoque desses títulos.

Já o varejo alta renda absorveu 41,8% desses certificados. A pequena parcela restante está nas mãos dos super-ricos (segmento private), que detêm apenas 10,6% do estoque.

Luciane Effting, presidente do fórum de distribuição da Anbima, credita o fenômeno dos CDBs a três fatores:

  • Facilidade de investir no produto: é simples de entender e qualquer banco tem;
  • Caixinhas e cofrinhos de liquidez diária, que democratizaram o acesso; e
  • Juros de 15% ao ano, que tornam a rentabilidade alta sem esforço e com baixo risco.

Há algum tempo, quase todas essas características eram atribuídas à caderneta de poupança — tirando a rentabilidade, claro.

Investimentos dos super-ricos

Segundo os dados da Anbima, a concentração de investimento dos super-ricos está em duas classes: ações e títulos isentos de imposto de renda.

Aqui, vale esclarecer quem são os super-ricos (private), a alta renda e o varejo tradicional (“povão”).

A Anbima segue a segmentação feita pelas instituições financeiras, que avaliam o patrimônio do cliente para classificação interna. Essa diferença fica clara ao observar o ticket médio de investimento de cada classe de renda ao final de 2025:

  • Private: R$ 15,8 milhões
  • Alta renda: R$ 137,3 mil
  • Varejo tradicional: R$ 14,9 mil.

Mais da metade (68,6%) dos investimentos em ações no ano passado ficaram concentrados no private. A alta renda detinha 18,7% das aplicações, enquanto o varejo tradicional correspondia a 12,7%.

Nos títulos isentos de renda fixa a concentração por faixa de renda e patrimônio era menor: 43% private, 31,3% alta renda e 25,7% varejo tradicional. Como títulos isentos a Anbima considera CRAs, CRIs, LCAs, LCIs, LIGs e debêntures incentivadas.

Também é possível observar uma concentração maior dos super-ricos nos fundos multimercados (71,3%) e nos fundos de ações (67,8%).

Os fundos de renda fixa e fundos estruturados (FIIs, FIDCs e FIPs) estão nas mãos da alta renda, principalmente, com 46,3% e 42,2% de participação, respectivamente.

Investimento por classe — de renda — em 2025

No ano passado, os brasileiros investiram 15,5% a mais, um aumento de R$ 1,15 trilhão em volume de capital.

O crescimento veio principalmente do varejo de alta renda, que aumentou em 21,2% sua alocação geral, conforme os dados da Anbima. O varejo tradicional cresceu 10,3%, enquanto o segmento private aumentou em 14,9%.

Em termos de produtos financeiros, para além do avanço dos CDBs, os fundos de renda fixa e os títulos isentos também brilharam no ano passado. Seus volumes totais aumentaram R$ 223 bilhões e R$ 191 bilhões, respectivamente.

Percentualmente, FIDCs saíram à frente, com alta de 122,8% em um ano, para um volume total de R$ 52 bilhões. Na sequência aparecem os ETFs (+47,8%) e os títulos públicos (+43,4%).

Varejo tradicional

Investimento Alocação (R$ bi) % de participação no total
Poupança  814,31  84,7% 
CDB  633,60 47,6% 
Previdência  418,91  27,1% 
Isentos* 367,00 25,7%
Fundo de renda fixa 233,22 23%
Ações 102,53 12,7%
Títulos públicos 83,56 31,7%
Fundos estruturados 68,90 30,5%
Fundos multimercados 48,24 9%
Fundos de ações 21,75 8,6%
* CRA, CRI, LCA, LCI, LIG e Debêntures incentivadas
Fonte: Anbima – distribuição de produtos de investimento em 2025   

Varejo alta renda

Investimento Alocação (R$ bi) % de participação no total
Previdência  851,74  55,1% 
CDB  556,40  41,8% 
Fundo de renda fixa  469,48 46,3% 
Isentos* 446,96 31,3%
Ações 150,97 18,7%
Poupança 140,36 14,6%
Títulos públicos 124,68 47,3%
Fundos multimercados 105,06 19,6%
Fundos estruturados 95,33 42,2%
Fundos de ações 59,68 23,6%
* CRA, CRI, LCA, LCI, LIG e Debêntures incentivadas
Fonte: Anbima – distribuição de produtos de investimento em 2025   

Private

Investimento Alocação (R$ bi) % de participação no total
Isentos* 614,04  43% 
Ações  553,81  68,6% 
Fundos multimercados  382,17  71,3% 
Fundo de renda fixa 311,30 30,7%
Previdência 273,61 17,7%
Fundos de ações 171,47 67,8%
CDB 141,10 10,6%
Fundos estruturados 61,44 27,2%
Títulos públicos 55,36 21%
Poupança 6,73 0,7%
* CRA, CRI, LCA, LCI, LIG e Debêntures incentivadas
Fonte: Anbima – distribuição de produtos de investimento em 2025 
Tags: CDBinvestimentos

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