Quase um terço dos executivos do setor de varejo e consumo no país apontam que seus negócios devem ser economicamente viáveis por 10 anos, no máximo, de acordo com a consultoria e auditoria PwC Brasil. A 27ª edição da pesquisa Global CEO Survey entrevistou 4,7 mil pessoas em cem países, incluindo o Brasil.
De acordo com o levantamento da PwC, os CEOs de empresas brasileiras destacaram a necessidade reinventar seus negócios para garantir a viabilidade das empresas a longo prazo.
Do total de entrevistados do setor de varejo e consumo, 30% apontaram que o negócio será economicamente viável por até dez anos, leve avanço de 1 ponto percentual em relação a 2023. Já no recorte de todos os setores da economia brasileira, a percepção subiu de 33%, no ano passado, para 41%, em 2024.
Sócia e líder de consumo e varejo da PwC, Luciana Medeiros destaca que o setor apresenta maior grau de resiliência se comparado aos demais segmentos brasileiros e também às economias de outros países. O mercado dos Estados Unidos foi apontado por 47% dos executivos de consumo como muito relevante para suas empresas, seguidos por Argentina (30%) e China (20%).
A estabilidade macroeconômica é apontada como a principal preocupação para os próximos doze meses, segundo 30% dos executivos de varejo e consumo e 31% do empresariado brasileiro.
A inflação aparece em segundo lugar, destacada por 20% dos varejistas e 29% das empresas em geral. “Apesar de haver uma preocupação com a inflação, na indústria de consumo, começa a ser uma preocupação um pouco menor em relação ao ano passado. Segue como um tópico importante, mas menos do que nas demais empresas do Brasil”, afirma Luciana Medeiros.
Impactos da tecnologia e do clima
Já a preocupação com riscos cibernéticos foi o terceiro maior desafio, apontado por 27% dos executivos, enquanto a média em todos os setores da economia brasileira foi de 25%.
Ainda no âmbito digital, a utilização da inteligência artificial generativa foi destacada como um dos fatores que deve proporcionar maior mudança no modelo de negócios nos próximos anos. Na avaliação de 63% dos executivos de consumo, a tecnologia mudará significativamente a maneira de criar, entregar e capturar valor nos próximos três anos.
Outro fator no radar é o desenvolvimento de produtos de menor impacto climático. O percentual que afirmou ter projetos de inovação, porém, foi de 63%, enquanto a média global é de 83%.
Obstáculos
O principal obstáculo para uma reinvenção corporativa, na avaliação dos executivos, são os processos burocráticos. A burocracia foi apontada por 70% dos executivos do setor de consumo, fatia acima dos 48% da indústria como um todo.
A instabilidade na cadeia de suprimentos foi o segundo risco mais citado, com 63% das respostas do recorte de consumo e 46% do empresariado geral. Já o ambiente regulatório ocupa o terceiro lugar na avaliação dos empresários, com 57% do segmento de consumo e 46% de todo o setor produtivo brasileiro.
Fonte: Valor Econômico






