A ação do Bradesco, que tem sofrido ao longo dos últimos dois anos com divulgações de balanços fracos e recuou mais de 17% após os resultados do quarto trimestre, parece ter finalmente chegado ao seu limite de queda. Pelo menos essa é a visão dos analistas do Goldman Sachs, que acabam de tirar o banco da lista de recomendações de venda e retomar uma posição neutra para o papel, por acreditarem que é provável que os riscos de baixa já tenham sido precificados pelo mercado.
A estimativa de preço-alvo da instituição americana para o Bradesco está em R$ 14 para os próximos 12 meses, bem próximo da cotação no fechamento de ontem, em R$ 13,65. Nas contas do Goldman Sachs, a ação tem sido negociada a 7,7 vezes o múltiplo P/L para 2024, contra 10 vezes a sua média histórica e 8 vezes a média dos pares do setor privado.
A retomada de uma visão neutra para o papel ocorre pouco mais de um mês depois de o Goldman Sachs ter rebaixado o banco brasileiro para venda, apontando à época desafios estruturais para a lucratividade. O que mudou de lá para cá (além de a ação ter continuado caindo, como o Goldman previu) é que o novo CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, apresentou o guidance para 2024 e um plano estratégico para os próximos cinco anos que promete levar o banco de levar o banco de volta ao seu patamar histórico de rentabilidade, em torno de 20% (hoje está em 10%, abaixo dos concorrentes).
O Goldman Sachs reconhece que a execução do plano de recuperação do Bradesco será longa, mas acredita que o avanço do ROE pode se mostrar mais rápido do que a própria gestão do banco espera. Na teleconferência, Noronha indicou que a expectativa é que o ROE supere o custo de capital (hoje em 13%-14%) em algum momento de 2026, mas os analistas do Goldman Sachs calculam que o indicador pode ficar acima de 13-14% em algum momento entre o fim de 2024 e o início de 2025.
“Isso dependerá do ritmo de normalização do custo do risco e da resiliência da margem de juros líquida com taxas mais baixas”, escrevem os analistas. “Além disso, espera-se que o banco acelere o crescimento do crédito depois de perder share em relação aos níveis anteriores à pandemia.”
Apesar disso, o Goldman Sachs lembrou que suas projeções para o Bradesco seguem mais pessimistas que as do mercado. Após a divulgação do balanço do quarto trimestre, a expectativa de consenso para o lucro líquido de 2024 caiu 10%, para R$ 20,1 bilhões, mas ainda está 6% acima da previsão do Goldman Sachs.
Para 2024, o banco americano estima lucro líquido de R$ 18,9 bilhões para o Bradesco, o que implica ROE de 11,3%, com uma melhora das margens de mercado, dos níveis de provisões para devedores duvidosos e do ciclo de crédito. Em 2025, os ganhos devem crescer 5%, para R$ 23,7 bilhões, com ROE de 13,2%, próximo ao que já vai estar rodando no quarto trimestre de 2024, calcula o Goldman Sachs.
Em relação a pontos específicos do plano estratégico, o Goldman Sachs viu de forma positiva o enxugamento da organização hierárquica, com a eliminação de camadas, e também o fato de o Bradesco ter reafirmado seu foco na baixa renda, que os analistas consideram que é um “mercado grande demais para ignorar”. A estimativa do Goldman Sachs é que o Bradesco ganhe um share de 1% a 5% nos próximos cinco anos em crédito.
No entanto, embora tenha reconhecido como necessário o objetivo do banco brasileiro de melhorar em 8 pontos percentuais o seu índice de eficiência operacional, o Goldman Sachs acredita que se trata de uma meta de difícil execução.
Fonte: Pipeline






