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Início ESG

Para lideranças, falta pragmatismo na agenda ESG, que deveria ser abordada como um problema do negócio

Redação por Redação
25 de setembro de 2023
em ESG
Para lideranças, falta pragmatismo na agenda ESG, que deveria ser abordada como um problema do negócio

Divulgação/IBCC

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Se as grandes empresas desejam mesmo avançar em suas metas de sustentabilidade e diversidade, precisam tornar a agenda ESG um problema do negócio — inclusive medindo seu impacto na sustentabilidade financeira da corporação, defende Andrea Rolim, presidente da Kimberly-Clark Brasil. “Tenho um incômodo grande quando discutimos o tema [ESG] distante do negócio. Essa agenda precisa ser encarada com mais pragmatismo, metas e um processo que acompanha o negócio”, defendeu a executiva durante painel no 3º Fórum Brasileiro do Capitalismo Consciente, realizado nesta quarta-feira (20), em São Paulo, pelo Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB).

Andrea dividiu o palco com Fernando Modé, CEO do Grupo Boticário, e Edvaldo Vieira, consultor e antigo CEO da Amil (a UnitedHealth Group, dona da Amil, fechou seus cargos de liderança no Brasil em março deste ano). Intitulado “Não é porque é grande que é fácil — As falhas no caminho para o sucesso”, o painel convidou as lideranças a debater sobre os desafios de endereçar a agenda ESG dentro de grandes corporações de forma efetiva.

Fernando Modé concordou com Andrea: “A gente não acredita em sustentabilidade, diversidade e inclusão dissociadas do negócio. Lidamos com o tema como qualquer outro endereçado pela empresa, não como um apêndice”. Para exemplificar, o executivo relatou que o grupo tem 6,5 mil produtos em desenvolvimento na área de P&D e que nos critérios de aprovação já estão inseridos, além das projeções de resultados financeiros, “meio-ambiente” e “diversidade” — isto é, os produtos não chegam ao consumidor se não atendem a esses dois tópicos definidos previamente, segundo a empresa.

Edvaldo Vieira lembrou da necessidade de letramento por parte das lideranças — especialmente em relação à diversidade racial. “Ações afirmativas são extremamente importantes nas corporações. Não se trata de caridade, mas de oportunidade. Vemos a presença de profissionais negros diminuir conforme aumenta o grau de liderança, muitas vezes chegando a zero. As organizações e os líderes precisam entender seus vieses inconscientes e resolver os problemas por meio de processos e de indicadores”, afirmou.

O mercado financeiro está preparado?

Durante a tarde, no painel “Como pagar essa conta? A visão do mercado financeiro junto ao Capitalismo Consciente”, Renato Eid, partner do Itaú Asset Management, Vanessa Reisner, diretora do Programa Avançado em ESG do Women in Innovation Brazil, e Alan Soares, CSO e fundador do Movimento Black Money, discutiram alternativas para alavancar recursos pela via do capitalismo consciente. O debate foi mediado por Thais Lopes, consultora e fundadora da Mães Negras do Brasil, que abriu a conversa com a provocação: “Existe capitalismo consciente?”.

Vanessa Reisner respondeu dizendo que é possível exercitar o capitalismo consciente, principalmente, motivado pelas mudanças de comportamento do consumidor. “Tudo começa pelo consumo. O consumidor das novas gerações tem um jeito diferente de fazer escolhas e as empresas vão começar a prestar mais atenção nesse cliente. No outro lado dessa equação, os investidores começam a pedir informações não financeiras para as empresas, informações que dão dicas de como é feita a gestão, por exemplo. A partir daí, os financiamentos e modelos de crédito começam a validar e dar taxas distintas para investimentos diferentes também”, descreveu.

Alan Soares se posicionou dizendo que não acredita em capitalismo consciente: “Acredito que as pessoas possam ser conscientes, mas um sistema econômico não pode ser consciente. O capitalismo deriva da exploração do indivíduo e do meio ambiente com o objetivo de gerar lucro. Nós, como indivíduos, podemos tomar a decisão de investir em algo que agrida menos o meio ambiente, por exemplo, mas o capitalismo por si só não”, disse ele, citando como exemplo positivo a iniciativa do Grupo Gaia que criou um CRA do MST.

Renato Eid lembrou de iniciativas que os agentes do mercado financeiro podem utilizar para direcionar o capital para uma agenda ESG, e criticou quem confunde alocação de capital em práticas sustentáveis com filantropia.

“Primeiro, é importante integrar esses aspectos dentro dos nosso processo de investimentos. Poderia olhar apenas aspectos financeiros das empresas, mas estaria negligenciando uma parte relevante de riscos e oportunidades”, disse. “Filantropia tem sua importância na sociedade, mas não se trata disso. O que estamos fazendo é alinhar as variáveis financeiras às sociais e ambientais. Trata-se de alinhar meu capital em direção a essa agenda relevante”, acrescentou.

Fonte: Época Negócios

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